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EM ABRIL, VEM AI O V ENCONTRO DE LIDERANÇAS DO CPC/RN, AGUARDEM!!!

Dia 27 de abril no IFRN de Parelhas-RN, o Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN com apoio de lideranças sindicais, culturais e instituições...

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Comidas do Nordeste

Prato Camarão Empanado

A culinária nordestina é forte, influenciada pelas condições geográficas-econômicas e principalmente pelas comidas africanas/portuguesas (apesar de holandeses, franceses e ingleses terem permanecido na região por um certo tempo).
Os pratos contém, geralmente, muitos vegetais, carne bovina e caprina, peixes e frutos do mar. Devido ao bioma da caatinga, os pratos adquiriram um sabor forte, apimentado e com alto teor calórico. Já no litoral do Nordeste,  receberam um sabor carregado, além de uma variedade de ingredientes e cores. Os frutos do mar se destacam, com a produção de bobó de camarão, moquecas de peixe ou moluscos e crustáceos.
A região é formada pelos estados:
  • - Sergipe (SE);
  • - Ceará (CE);
  • - Paraíba (PB);
  • - Alagoas (AL);
  • - Rio Grande do Norte (RN);
  • - Pernambuco (PE);
  • - Maranhão (MA);
  • - Bahia (BA);
  • - Piauí (PI).

Influências na Culinária Nordestina

Na Bahia e no Pernambuco, os pratos africanos fazem sucesso, por causa da escravidão dos negros. No estado baiano, as escravas africanas produziam as comidas típicas e pratos sagrados com alto significado religioso. Exemplo disso, existem o abará e o acarajé, vendido atualmente nos tabuleiros das baianas. Outros pratos populares estão o caruru e o vatapá. Os elementos principais da cozinha baiana são o azeite de dendê, o coco, a pimenta e o quiabo que são frequentemente adicionados às receitas.
Em Alagoas, prevalecem os pratos com frutos do mar. Já no Maranhão, com um forte contribuição dos portugueses, receberam pratos com temperos picantes e uma comida característica do estado. Os pratos oriundos de Portugal foram mantidos e perpetuados pela dona de casa portuguesa. Um exemplo, é a galinha ao molho pardo, feito com o sangue da ave, que deu origem a famosa galinha de cabidela. Outros pratos lusitanos estão o sarapatel e a buchada.

No sertão do Nordeste, devido ao clima, a carne-de-sol, feijão, milho, rapadura e pratos elaborados com raízes, como a mandioca são os mais populares. No interior, uma das tradições são as festas juninas que contribuíram com a produção de diversos pratos do festejo. Com danças típicas, músicas, brincadeiras e comidas típicas é uma festa que homenageia os santos populares e atualmente é comemorada em vários estados brasileiros. Nessa festa são produzidas comidas como milho cozido ou assado, canjica, cocada, pé de moleque, arroz-doce, cuscuz e pamonha.

Pratos Típicos do Nordeste

 Tapioca  Acarajé  Vatapá  Moqueca de peixe, ostra e camarão  Buchada de Bode  Baião de Dois  Macaxeira ("aipim ou mandioca" em outros lugares)  Mariscos e Moluscos  Lagosta  Fritada de siri  Paçoca (de carne)  Caruru  Carne-de-sol  Queijo Coalho  Cuscuz de Milho.
Alguns Pratos Populares

Tapioca

A tapioca ou beiju, é uma massa feita com goma originária da fécula da mandioca que foi criada pelos índios brasileiros (tupis-guaranis). Depois, os colonizadores foram dominando as técnicas dando origem a famosa tapioca.

Baião de Dois

Quando o povo nordestino passava por problemas devido a seca na região, a comida era escassa e era preciso guardar o necessário, sem que houvesse desperdício. Por isso, surgiu no Ceará, o Baião de Dois, uma mistura de arroz, feijão, carne seca e queijo coalho.

Acarajé

Receita de origem africana que teria surgido de acordo com uma lenda de Xangô e sua esposa Iansã. É um bolinho feito com feijão fradinho, sal, alho, cebola, gengibre frito no azeite de dendê e recheado com camarão seco temperado.

Moqueca

É um prato no qual é cozido peixe com azeite de dendê, leite de coco, pimenta e coentro.

Carne de Sol com Queijo Coalho

A carne de sol geralmente é consumida no Nordeste com pirão (feito de coalhada, leite, manteiga de garrafa, farinha de mandioca) e queijo coalho.

Paçoca de Carne Seca

É uma farofa criada com a mistura da farinha de mandioca, cebola e carne seca moída. Consumida, geralmente, com banana e baião de dois.

Sarapatel

É um prato criado com vísceras de porco, bode ou carneiro, cozida com o sangue do animal e recebe diversas variações pelos estados. Pode ser acompanhado de farinha e pimenta.

Vatapá

É um creme de tem diversas receitas. Geralmente, é feito com camarão, pão, farinha de rosca ou fubá, castanha de caju, pimenta, leite de coco, amendoim e azeite de dendê. É servido com recheio para o Acarajé.

Caruru

É um prato produzido com quiabo, camarão, azeite de dendê e temperos que são misturados à farinha de mandioca e caldo.

Aprenda a Fazer Receitas do Nordeste

Receita de Tapioca com Fécula de Mandioca

Ingredientes
  •  1 kg de fécula de mandioca
  • ⇒ 2 litros de água
Recheios
Coco e leite condensado:
  • ⇒ 200 g de leite condensado
  • ⇒ 200 g de coco ralado
Banana e queijo:
  • ⇒ 1 colher (sopa) de canela (pó)
  • ⇒ ½ xícara (chá) de açúcar
  • ⇒ 200 g de queijo (fatiado)
  • ⇒ 2 bananas
Modo de preparo
  1. Deixe a fécula de mandioca de molho por 2 horas em um recipiente;
  2. Depois de 2 horas, escorra a água e coloque a fécula sobre um pano (branco);
  3. Deixe secar por mais 2 horas, e depois passe por uma peneira;
  4. Coloque uma frigideira (sem untar) no fogo baixo, e com uma colher (sopa) coloque um pouco de massa (fécula de mandioca);
  5. Depois que a massa se espalhar, alise-a para ficar macia. Faça isso em média 3 minutos, ou até a tapioca ficar ligada (com ligas);
  6. Faça esse processo com toda a massa preparada.
Modo de Preparo dos Recheios para Tapioca
Coco e Leite Condensado: Espalhe o coco ralado sobre a tapioca e jogue em cima dele o leite condensado.
Banana e Queijo: Antes de colocar a banana na tapioca, é preciso fritá-la. Depois de fritas, coloque sobre o queijo (que já está sobre a tapioca) e depois acrescente o açúcar e a canela.

Receita de Macaxeira Gratinada à Moda Nordestina

Ingredientes
  • ⇒ 2 kg de Macaxeira
  • ⇒ 1 kg de carne seca
  • ⇒ 1 colher (sopa) de manteiga
  • ⇒ 1 copo de requeijão
  • ⇒ 2 cebolas (cortadas em fatias finas)
  • ⇒ 300 g de queijo coalho ou mussarela
Modo de Preparo
  1. Deixe a carne seca de molho, por volta de 2 horas, trocando sempre a água para tirar o excesso de sal;
  2. Cozinhe a carne em uma panela de pressão, até ficar macia. Depois desfie-a;
  3. Frite a carne na manteiga, junto com a cebola e se precisar coloque o sal também;
  4. Amasse a macaxeira (cozida), tire os fiapos e misture com requeijão;
  5. Em uma travessa, coloque uma camada da mistura de macaxeira com requeijão e depois a carne acebolada. Depois cubra a carne com outra camada de macaxeira e por cima coloque o queijo fatiado;
  6. Leve ao forno para gratinar.

Receita de Paçoca de Carne

Ingredientes
  • ⇒ 1 kg de carne-de-sol magra
  • ⇒ 1 cebola (picada)
  • ⇒ 1 xícara (chá) de farinha de mandioca
  • ⇒ ½ xícara (chá) de manteiga
  • ⇒ óleo
Modo de Preparo
  1. Deixe a carne de molho, trocando a água sempre para tirar o sal;
  2. Asse a carne na brasa, ou frite no óleo. Depois desse processo, deixe esfriar;
  3. No processador, coloque a carne em pequenas porções junto com a farinha;
  4. Depois de processar toda a carne, junte e leve ao fogo com a cebola e a manteiga.

Receita de Acarajé

Ingredientes
  • ⇒ 500 g de feijão fradinho (cru)
  • ⇒ 500 g de cebola (picadas)
  • ⇒ 500 ml de óleo
  • ⇒ 500 ml de azeite de dendê
  • ⇒ 150 g de camarão seco
  • ⇒ 2 xícaras (chá) de vatapá
Modo de Preparo
  1. Em um processador, coloque os grãos de feijão e bata para quebrá-los. Cuidado para não esmigalhar, bata apenas por alguns segundos;
  2. Coloque os feijões em recipiente com água, cubrindo-os. Deixe de molho por 12 horas;
  3. Depois, com uma colher, vá retirando as cascas que se desprendem dos caroços de feijão. Lave os feijões;
  4. No processador, junte a cebola e o feijão. Bata por mais ou menos 3 minutos, até obter uma pasta lisa e uniforme;
  5. Coloque a pasta em uma panela funda. Pegue uma colher de pau e bata a massa, até que aumente o seu volume;
  6. Em outra panela, coloque o óleo, azeite de dendê, cebola e leve ao fogo;
  7. Com duas colheres de sopa, modele os acarajés até que a massa fique com formato de bolinho;
  8. Coloque esses bolinhos no óleo bem quente e deixe fritar;
  9. Depois de retirar os bolinhos do óleo, corte-os ao meio, recheie com vatapá e camarão seco.

Fonte: COMIDAS TIPICAS 

Feira dos Nordestinos, no Rio, completou 72 anos

A Feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, é um espaço que celebra as tradições e a cultura nordestina -Tânia Rêgo/Arquivo Agência Brasil)

A Feira de São Cristóvão, conhecida também como Feira dos Nordestinos, comemorou no dia 2 de setembro de 2017, 72 anos, com a distribuição de um bolo de cinco metros ao público, na Praça dos Repentistas, no Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, no Rio de Janeiro. Os primeiros movimentos que deram origem à feira começaram em 1945. Em 2003, o antigo pavilhão de eventos localizado em São Cristóvão, na zona norte do Rio, foi reformado pela prefeitura e transformado no Centro de Tradições, para onde a feira foi transferida.

Pela primeira vez em sua história, a feira tem uma mulher, ex-feirante, como gestora. A paraibana Magna Fernandes começou a vender no local aos 18 anos, em barracas de lona na rua. Hoje, com 35 anos de idade, ela enfrenta o desafio de administrar o espaço que reúne 700 barracas e cerca de 250 restaurantes, com produtos típicos das regiões Norte e Nordeste.

“A gente quer inventar, arrumar, renovar. Apesar da crise que vive o Brasil, nós estamos tentando fazer o que podemos”, disse Magna. Ela pretende solucionar alguns problemas de luz e melhorar a feira. “Esse é o maior projeto nosso: colocar luz individual para os feirantes, água também individual; fazer algumas obras nos camarins; mudar a cara da feira”.

As comemorações pelo aniversário se estenderão durante todo o mês, porque foi no dia 20 de setembro que a feira passou para dentro do pavilhão, explicou Magna. “Vamos ter bandas de forró, a quadrilha que representa o nosso Nordeste, além de outras atrações”, disse a gestora.

Segundo Magna Fernandes, a primeira coisa que chama a atenção dos visitantes não nordestinos é a decoração com temas que representam a região, como vacas e burros, além das comidas típicas, a sanfona, os músicos tocando forró. “Porque quem é nordestino vem, na verdade, porque aqui é um pedacinho do nosso Nordeste. A gente se sente em casa, na nossa terra”.
Depoimentos
Itajara Bohana, natural da Bahia, é assídua frequentadora do local. “Acho a feira maravilhosa. Foi uma sacada muito boa da prefeitura pegar esse pavilhão e transformar em feira. Ficou muito mais modernizado, mais bonito, com os restaurantes mais organizados”. Hoje, Itajara está trazendo amigos da Bahia para conhecer a Feira dos Nordestinos, depois da visita feita ao monumento do Cristo Redentor. Ela assegurou que qualquer pessoa que venha do Nordeste se sente em casa na feira. “Tem um pouco de cada estado aqui dentro. É tudo muito divertido”.


O carioca Flávio Eduardo Madeira, 62 anos, visita a Feira de São Cristóvão pela segunda vez. Engenheiro civil e naval, ele gosta de ir à feira para lembrar as viagens feitas aos diversos estados nordestinos. “As pessoas perdem muito tempo em conhecer lá fora quando, aqui no Brasil, é um mundo maravilhoso. Você vai a Fortaleza, fica deslumbrado; vai a Natal, cai o queixo”. Do Maranhão, onde trabalhou também, Madeira guarda boas recordações.

Uma das tradições da Feira de São Cristóvão é o forró “pé de serra”, tocado nos palcos por diversos trios e bandas regionais do Nordeste. Cerca de 300 mil pessoas frequentam o forró a cada mês.

Edição: Graça Adjuto - Fonte: http://agenciabrasil.ebc.com.br
Adaptado pelo CPC/RN.

PRESIDENTE DO CPC/RN TENTARÁ CONCLUIR DOCUMENTÁRIO SOBRE PRÉDIOS ANTIGOS DAS CAPITAIS DO NORDESTE AINDA ESSE MÊS!


Fotos: Google

CENTRO POTIGUAR DE CULTURA - CPC/RN

Eduardo Vasconcelos, presidente do Centro Potiguar de Cultura - CPC/RN, tentará concluir DOCUMENTÁRIO sobre  Prédios Antigos (abandonados) e sua importância histórica para o povo brasileiro) nas Capitais Nordestina ainda esse mês.

Já foram visitadas as capitais de Natal( RN), João Pessoa (PB), Recife (PE), Maceió (AL), e essa semana está na agenda as capitais de Fortaleza, Teresina e Maranhão e até o final do mês: Salvador e Aracaju.

OBJETIVO: Provocar as governos locais para uma discussão/reflexão diante da necessidade de PRESERVAÇÃO e RESGATE DA HISTÓRIA LOCAL. Transformando-os em Centros de Memória local e seu RESGATE CULTURA para o povo brasileiro.

"Esse trabalho já era para ter sido feito, mas as dificuldades são enormes! Parece que "alguns governantes querem que esses patrimônios memorável do POVO seja esquecido de suas memórias!", diz Eduardo.  E vai mais a adiante: Em sua maioria esse prédios tem um significado importatne e histórico, pois em sua maioria retrata a resistência e a criatividade do povo local. É preciso fazer algo, caso contrário a HISTÓRIA DO BRASIL aos poucos DESAPARECERÁ! Conclui Eduardo Vasconcelos.

Os apoios de instituições, como sindicatos, entre outros que apoiam essa ideia garante o andamento desse projeto, ou melhor, DESTE SONHO! Disse Eduardo Vasconcelos - CPC/RN.

“Violência não se combate com violência”, diz presidenta da UNEGRO

Ângela Guimarães fala sobre a redução da maioridade e diz que é falsa a ideia de uma epidemia de crimes cometidos por adolescentes

A luta contra a redução da maioridade penal é uma pauta que já perpassa duas gestões da UBES. A entidade se mantém atenta e alerta diante desta ameaça à juventude. Recentemente, o assunto voltou a ser notícia, após a divulgação de pesquisa do Datafolha que diz que aumentou o apoio da população para a alterar a idade penal de 18 para 16 anos no caso de crimes graves. Para Ângela Guimarães, presidenta da UNEGRO (União de Negras e negros pela Igualdade), reduzir a maioridade penal não reduz a violência: “Todos os países que adotaram sistemas mais severos de repressão da violência tiveram a criminalidade aumentada”, explica.
Confira a entrevista para a UBES na íntegra!
UBES: Recentemente, o Datafolha publicou pesquisa em que diz que as pessoas têm se mostrado favoráveis à redução da maioridade no caso de crimes graves. O que você acha sobre isso?

Ângela Guimarães: São múltiplos os fatores, mas todos têm raízes no fato em que vivemos numa sociedade construída sob o signo da violência como forma básica de resolução dos conflitos e problemas. Muitas vezes essa é a única linguagem que a maioria entende, a punição extrema e não a reeducação ou ressocialização.

Assim, parcela da população que sofre com a insegurança nas cidades, tem medo de sofrer algum tipo de violência ou mesmo já sofreu, acaba acreditando que a solução “simples” de prender e tirar as pessoas de circulação, cada vez mais jovens, resolve o problema, sem refletir que temos um sistema carcerário inchado, super lotado e que não oferece a menor condição de ressocialização para qualquer um dos seus presos.
Junto a isso, as soluções ditas fáceis e simplistas como a redução da maioridade penal, afastam a reflexão sobre qual modelo de sociedade tem produzido desigualdades tão gritantes e estruturantes que ao invés de garantir educação e possibilidade de desenvolvimento universal a crianças e adolescentes dos variados estratos sociais, só consegue acenar com propostas de repressão e encarceramento para a juventude negra e pobre. Punição isolada de outros mecanismos não diminui a violência.
O mesmo congresso que trabalha diuturnamente para aprovar a redução da maioridade penal em poucas horas aprovou a chamada PEC da morte, a Emenda Constitucional 95 que congela por longos vinte anos os investimentos em educação, saúde, cultura, desenvolvimento social, segurança, dentre outros. Olha só o tamanho da contradição!
UBES: Você acha que a redução da maioridade penal para 16 anos resolve a questão da insegurança pública? Por quê?

A.G.: Definitivamente NÃO! A situação da segurança é complexa e está vinculada a muitos fatores como a nossa desigualdade social histórica, as diferenças de acesso a direitos sociais e a bens básicos de sobrevivência e também vinculada a uma cultura de criminalização da pobreza e das pessoas negras.

Importante salientar que menores de 16 a 18 anos são responsáveis por 0,9% dos crimes no Brasil. O percentual é ainda menor se considerados homicídios e tentativas de homicídio: 0,5%.
Então, não estamos diante de uma epidemia de violência cometida por adolescentes que justifique alteração da Constituição, compreende? Tudo isso é parte da sanha conservadora que está varrendo o país desde 2014. São setores fascistas que se levantaram, absolutamente incomodados como acesso de setores desprivilegiados, da classe trabalhadora, em sua maioria negra, a direitos que até então lhe foram negados. É o filho do peão e da empregada doméstica na universidade que desperta o ódio de quem acredita que o Brasil deveria seguir no ritmo de desenvolvimento desigual onde o pobre nascia pobre e morria miserável, com o Estado de costas para ele. A mínima alteração neste estado de coisas desencadeou o ódio, a intolerância e resultou no golpe e na onda fascista que estamos vivendo.
UBES: Quais são os perigos de se reduzir a maioridade penal? Como isso impacta a juventude, principalmente, a juventude negra e periférica, mais vulnerável?

A. G.: O maior perigo é acreditar que a regra geral é o/a adolescente estar envolvido em crimes e isso não é verdade. Adolescentes e jovens brasileiros/as são antes de tudo vítimas de homicídios, na ordem de mais de 30 mil vítimas por ano no Brasil, apenas 8% com algum tipo de investigação.

Essas propostas de redução da maioridade penal são uma cortina de fumaça para encobrir essa verdadeira guerra civil no país que vitima preferencialmente jovens negros e pobres.
Basta lançar um olhar para o nosso sistema carcerário para compreender que o nosso sistema de justiça é absolutamente seletivo social e racialmente.
Dentre as pessoas presas, mais de 64% são negros e mais de 50% são jovens, enquanto que na população em geral, negros são apenas 53% e jovens 27%.

O aumento de penas, a redução da idade penal e o endurecimento do punitivismo fatalmente vão incidir mais duramente entre a juventude negra e da periferia, isso tem acontecido ao longo dos anos. E não resolverá o problema da violência. A insegurança persistirá. A punição não reduz a violência. Todos os países que adotaram sistemas mais severos de repressão da violência tiveram a criminalidade aumentada.
Violência não se combate com violência e sim com políticas públicas.
UBES: Como tratar a punição de crimes mais graves cometidos por adolescentes de 16, 17 anos, sem ter que reduzir a maioridade penal?

A. G.: Já temos no ECA e no sistema socioeducativo medidas duras e proporcionais a cada ato infracional cometido. É uma mentira tamanha dizer que há impunidade para adolescentes que cometem crimes. Em alguns casos, os adolescentes chegam a ficar mais tempo privados da liberdade do que adultos que eventualmente tenham cometido um crime análogo sem os benefícios de redução de pena por bom comportamento por exemplo que só os adultos têm. As medidas de internação se constitui em medidas privativas de liberdade de no mínimo seis meses e, no máximo, três anos. O prazo total de cumprimento depende da evolução do adolescente dentro do sistema socioeducativo. Ele pode ficar internado até os 21 anos. As avaliações ocorrem a cada seis meses e são encaminhadas ao juiz que, por sua vez, decide se o adolescente deve continuar internado.

A internação deve ser aplicada quando o ato infracional foi cometido mediante grave ameaça ou violência, por reiteração no cometimento de outras infrações graves e por descumprimento de medida socioeducativa anterior. A internação deve ser cumprida em entidade exclusiva para adolescente.
UBES: Quais medidas você acredita serem mais eficazes para resolver a questão da segurança pública do que a redução da maioridade penal?

A. G.: Os investimentos no pleno desenvolvimento integral de crianças, adolescentes e jovens garantindo seu acesso aos direitos constitucionais como escolas de qualidade, alimentação digna, cultura, esporte e lazer, famílias acolhedoras e responsáveis, moradia em condições dignidade, saúde integral, liberdade, participação nas decisões da escola e comunidade, vida livre de qualquer forma de violência, livre do racismo, do machismo e misoginia e também da LGBTfobia e intolerância religiosa. Esses fatores somados a uma sociedade com uma distribuição igualitária de renda e riqueza, acesso universal aos direitos sociais, uma mídia independente e plural que não nos desumanize apenas para garantir audiência, e uma política de segurança pública pautada na prevenção e não na repressão são caminhos para a edificação de outra sociedade calcada nos valores de solidariedade, fraternidade, justiça social e liberdade.

Fonte: UBES

O Negro de hoje é Fruto da Abolição não concluída : 130 ano de que...


No Brasil, assim como em outros países das Américas, a abolição foi primeiramente um ato jurídico, 

pelo qual os próprios escravizados lutaram, com a solidariedade dos chamados abolicionistas, em defesa de sua liberdade e dignidade humana.

"A abolição da escravatura no Brasil em 1888 não foi uma ruptura, pela sua incapacidade para transformar as profundas desigualdades econômicas e sociais, pois não se organizou uma resposta 


ao racismo que se seguiu para manter o status quo. Essa manutenção da relação mestre/escravo se metamorfoseou na relação branco/negro, ambas hierarquizadas".

Processo de imigração: Brasil recebeu muitos imigrantes europeus e a forma de substituição da mão de obra alijou aquela população que até então vinha trabalhando. Então o negro que era um bom escravo passou a ser um mau cidadão, alguém que, segundo a elite brasileira, era incapaz de se adaptar ao trabalho livre.

Esse processo tem como resultado a marginalização de um povo, transformado em inimigo, hostilizado pela classe dominante.

Processo de miscigenação: um processo de desafricanização. A qualquer denúncia contra um negro, ele era colocado em um navio e levado de volta à África. Uma acusação já era suficiente para devolver o negro à África, com o Estado pagando a viagem.

O resultado disso é que o Brasil passa a ser um país com profundas desigualdades socioeconômicas, passa a ser um país bastante violento.

A data de 13 de maio vem sendo uma data histórica importante, pois milhares de pessoas morreram para conseguir essa abolição jurídica que não se concretizou em abolição material, o que faz dela uma data ambígua. E o movimento negro não vê por que comemorar e elegeu o 20 de novembro uma data mais importante.

As grandes vítimas do tráfico e da escravidão foram os africanos escravizados e seus descendentes brasileiros também escravizados. - Por isso a memória da escravidão é comum à África e à sua diáspora no mundo. O que levou a União Africana a considerar a diáspora como constituindo a sexta parte do continente africano.

O mais beneficiado de todos com a escravidão e o tráfico foi o Brasil, que recebeu cerca de 40% de todos os africanos deportados às Américas. Nesse sentido, o Brasil é considerado como o maior país da diáspora negra no mundo, com uma população negra ou afrodescendente numericamente superada apenas pela Nigéria, que é o maior país da África negra em termos populacionais.

Os africanos e seus descendentes se constituíram um dos mais importantes componentes da formação 


do Brasil, como povo e como nação. Apesar da desigualdade racial, da sub-representação dos negros, em diversos setores da vida nacional, os aportes e as contribuições culturais que fazem parte da identidade brasileira no plural são inegáveis.

O significado do 13 de Maio passa pela reflexão sobre a situação do negro no Brasil de hoje, passa pela reflexão sobre a memória positiva e negativa da escravidão, passa pela análise da situação do negro pós-abolição. Essa reflexão deve ser feita ou refeita por nossos historiadores e cientistas sociais.

Durante o processo abolicionista, muito antes de chegar ao Brasil, a elite brasileira começou a se preocupar com vários aspectos, por causa da densidade demográfica brasileira majoritariamente negra. Havia um grande medo do que seria um país como o Brasil livre. Havia a experiência da revolução no Haiti, onde os negros não só se libertaram da escravidão como tomaram o poder no país e expulsaram os brancos.

A grande pergunta era: o que fazer? -Ninguém queria abolir ninguém. Queriam acabar com o regime escravocrata porque ele atrapalhava as pretensões capitalistas. Então, o que fazer com esses negros, praticamente 90% da população? A elite brasileira opta por vários processos para diminuir tanto quantitativamente como também assegurar que o poder depois da abolição se mantivesse em suas mãos.

Por que o Brasil levou tanto tempo para resgatar a memória da escravidão? Um país que foi o último a abolir a escravidão por que levou tanto tempo para resgatar a memória da escravidão, o legado da escravidão? É possível construir a democracia sem discutir sua relação com a diferença? É possível discutir a democracia sem discutir suas diferenças em relação às raças, às mulheres, aos homossexuais, aos indígenas?

A escola pública não reservou um espaço central no ensino do tráfico e da escravidão, apesar de existirem movimentos e as reivindicações na população negra. Por que em alguns livros os portugueses foram para a África, onde já havia pessoas que nasceram escravas, compradas por cachaça ou fumo?

Crime que exige reparação, pelo menos reparação moral, não existe entre os brasileiros...
-"A aceitação da culpabilidade serve apenas para apaziguar as tensões, sem buscar tentar sair do impasse político. Estamos acostumados a discursos bonitos, mas depois deles não tem mais nada. Discurso bonito não resolve nada".

Na discussão sobre a abolição coloca-se o acento sobre o abolicionismo, mas apaga-se o que veio antes e depois. O que aconteceu no dia seguinte à abolição até hoje, com aqueles que ficaram na rua, não estavam mais na senzala? Isso é importante para entender a abolição.

A Lei Áurea é apresentada como grandeza da nação, mas a realidade social dos negros depois dessa lei fica desconhecida. O racismo está presente em nossa sociedade.

O discurso abolicionista tem um conteúdo paternalista: os negros são considerados como grandes crianças, ainda incapazes de discernir seus direitos e deveres na sociedade, por isso os abolicionistas os libertaram. Então a educação fica dominada pelo eurocentrismo.

A questão do negro tal como colocada hoje se apoia sobre uma constatação: o tráfico e a escravidão ocupam uma posição marginal na história nacional. No entanto, a história, a cultura dos escravizados são constitutivas da história coletiva.

A abolição da escravatura é apresentada como um evento do qual a República pôde legitimamente se orgulhar. Mas a comemoração da data tenta fazer esquecer até hoje a longa história do tráfico e da escravidão para insistir apenas sobre a ação de certos abolicionistas e marginalizar as resistências dos escravizados.

A memória da escravidão é negativamente associada aos escravistas e a memória da abolição positivamente associada à nação brasileira. No entanto, as duas memórias deveriam dialogar para se 


projetar no presente e no futuro do negro ou simplesmente se construir uma única memória partilhada.

A principal luta hoje e sobre a qual precisamos começar a compreendê-la é a desigualdade em espaços de poder e decisão. Temos consenso em muitas agendas, o movimento negro tem uma grande unidade em sua pauta política. Mas por que as pautas do movimento não acontecem? Por que nossas coordenadorias, secretarias nas prefeituras são pastas sem dinheiro? É para não funcionar mesmo. Porque não temos força política, não temos caneta.

Então a discussão do poder é fundamental. Como estabelecer uma tática para atingir o poder? Está na


hora de discutir o voto étnico. Está na hora de usar o Estado a nosso favor. Porque o Estado é um instrumento que a burguesia usa para ela e contra nós. Temos que trabalhar agora com a consciência de que negro vota em negro.

Hoje precisamos começar a construir a presença de negros e negras nesses espaços. E não tem outra forma, na democracia brasileira, além do voto. Para que não nos tornemos um movimento colecionador de reivindicações, ou de fracassos, ou de mentiras. Hoje somos um movimento social sem representação política.

Um afro abraço.
Claudia Vitalino.