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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Artistas e intelectuais criticam condenação de Lula

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Depois que o juiz Sérgio Moro condenou o ex-presidente Lula, por “corrupção passiva” e “lavagem de dinheiro”, nesta quarta-feira (10), o caso repercutiu o mundo. No Brasil, diversos artistas e intelectuais se pronunciaram sobre o caso. Muitos consideram “perseguição política” para evitar o “retorno de Lula” em 2018, além de acreditar que fere o sistema democrático do país.
Beth Carvalho, Zé Celos, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque estão entre os artistas que criticaram a ação do juiz Sérgio Moro contra LulaBeth Carvalho, Zé Celos, Kleber Mendonça Filho e Silvia Buarque estão entre os artistas que criticaram a ação do juiz Sérgio Moro contra Lula Em entrevista ao jornal O Globo, vários artistas criticaram a decisão do juiz, entre eles, a cantora Beth Carvalho, conhecida pelo seu posicionamento político alinhado à esquerda. Para ela, a condenação de Lula foi “um absurdo que isso aconteça nesse mesmo momento em que perdemos as conquistas de Getúlio Vargas para os trabalhadores. Lula foi condenado sem provas, não querem que ele seja candidato a presidente, sabem que ele vai ganhar a eleição. O processo foi todo conduzido de forma falsa, todo baseado em mentiras. Tenho certeza de que grande parte do povo está revoltada com isso.”
O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de filmes como Aquárius e Som ao Redor, vai na mesma linha de Beth, para ele é gravíssimo que o processo tenha se desenvolvido sem provas. “Uma vergonha, mais uma num país que desrespeita cada vez mais a cidadania”.
Já o diretor e fundador do Teatro Oficina, Zé Celso, não titubeia ao afirmar que as motivações de Moro contra Lula são políticas e que o juiz se aproveitou do momento de turbulência no país para executar a ação. “Para realizar seu grande sonho — ou melhor, seu marketing —, Moro decreta a prisão de Lula, justamente quando é julgado o Fora Temer, e a maioria do povo brasileiro quer Diretas Já. O objetivo é comum a toda plutocracia: barrar a candidatura de Lula à presidência do Brasil”.
O cineasta Luiz Carlos Barreto também critica o fato de Moro ter declarado a sentença no dia seguinte à aprovação da Reforma Trabalhista, que já configura um golpe muito duro contra o povo brasileiro. “No dia seguinte em que se aprova a reforma trabalhista, que fez o Brasil regressar à era pré-Revolução Industrial da Inglaterra, condenar sem provas o maior líder popular do país é um complô de agitação para jogar o Brasil numa convulsão social. Voltamos à escravatura. Considero o Moro um terrorista.”
A atriz Silvia Buarque disse estar “estarrecida” por se tratar de uma “condenação política”. “Mas é uma condenação que já estava prevista por conta do golpe que afastou Dilma Rousseff da presidência.”
Do Portal Vermelho, com O Globo

Ao nosso cinema, as migalhas!

No começo de julho, a temporada de lançamentos nos cinemas do Brasil foi marcada pela a estreia de “Homem Aranha de volta ao lar”, “Meu Malvado Favorito 3”, “Mulher Maravilha” e “A múmia”. Somados, estes quatro títulos ocupam quase 75% das salas de cinema.

Por Vandré Fernandes*

Independente da qualidade dos filmes, o que chama a atenção é a força do lançamento. Quase ¼ das salas estão ocupadas pela a história do jovem aracnídeo. Como disputar a venda de ingresso se as estreias brasileiras ganham apenas um horário em alguma sala e muitas vezes fora do horário nobre? Para o cinema brasileiro alcançar voos mais altos não só basta vontade, é preciso decisão política de mudar o status-quo.

Foi tentando resolver tal distorção que a Ancine, no período em que o Brasil gozava de auto-estima, distribuição de renda e desenvolvimento, elaborou um projeto para ampliar o número de salas de cinema para dar vazão à nossa produção cinematográfica. Já que, em tese, quanto mais salas, mais distribuição, mais exibição, mais democracia nas telas.

Porém, isso não é fácil. Os grandes distribuidores e exibidores sempre deram preferência aos blockbusters americanos. Por isso, os grandes complexos localizados nos Shoppings nunca incluíram filmes nacionais, exceto as comédias globais, e mesmo essas em total desequilíbrio. Ou seja, a luta da Ancine de dar alternativa de exibição além dos grandes complexos de exibição é a mesma do pequenino Davi contra o gigante Golias.

A recente SPCine também fez um projeto para distribuir filmes nacionais em circuitos alternativos, como CEU’s, Cinemas de Rua, Associações, entre outros. O motivo é sempre o mesmo, despertar no espectador brasileiro a vontade de assistir filmes com outra linguagem, independentes, e alimentar o (sonho) de ampliar o gosto do público para as nossas produções.

Mas não é fácil competir com uma indústria. Os americanos pensam num filme como calça jeans, celular, computador… Um filme é uma mercadoria.

Se procurarmos na história do Brasil, vamos encontrar inúmeras vezes que o governo americano pressionou o país para inibir qualquer política que valorizava as produções brasileiras em nossas salas de exibição. Teve até um episódio em que um representante norte-americano disse que não mais importaria as nossas laranjas se não aumentássemos as exibições dos filmes americanos.

Ocupação cultural é uma forma inteligente de se colonizar um povo.

Por outro lado, no Brasil temos uma semi-industria, que avançou muito no último período. Nos 14 anos de governo popular, criamos uma produção robusta, mas ainda sem uma visão estratégica de ocupação, ficando muito sobre os ombros da própria Ancine.

E o que acontecerá agora, com um governo sem legitimidade, com um Ministério da Cultura à deriva e uma Ancine que, nesse contexto, está fragilizadas e provavelmente não mais vai poder atuar de forma autônoma?

Bem, como dizia um ancora de tv: as imagens são dramáticas.

Mesmo assim, o cinema brasileiro vive. No mesmo começo de julho estreiou – em pouquíssimas salas – “Os pobres diabos”, de Rosemberg Cariri; “SoudTrack”, da 300 ml; “As aventuras do pequeno Colombo”, de Rodrigo Gava. Além de outras estreias pelo Brasil. E se tudo der certo, eles ficarão em cartaz por míseras duas semanas.

Fazendo uma conta simples, os “primos pobres das salas de cinema no Brasil” – se for mantida a media de 20 expectadores por sessão, em uma sala, por duas semanas – terão levado 280 pessoas aos cinemas. Já o Homem Aranha com 660 salas, 4 horários diferentes, com os mesmos números de pessoas levaria quase 1 milhão. Se ainda contarmos com a forte publicidade para a divulgação do filme, a política americana no cinema, e a dominação cultural que vem de quase um século, esse número passará de 3 milhões.

Ou seja, ou a gente toma uma atitude contra a picada do Aranha, mantendo as políticas e projetos desenvolvidas pela Ancine ou I like American bullshit.

*Vandré Fernandes é cineasta

Site brasileiro ensina jornalistas a proteger fontes e dados pessoais de ataques digitais

Raphael Hernandes (Courtesy)
Metadados? Encriptografia? Backdoor? Navegador Tor? VPN? PGP? Quando o assunto é segurança digital para jornalistas, a quantidade de termos técnicos e siglas pode assustar. Mas ferramentas para garantir a privacidade online podem ser cruciais para a proteção de fontes - e para promover este conhecimento, foi lançado o site Privacidade para Jornalistas.
No site, uma análise de ameaças ajuda a entender quais são as melhores alternativas para combater a vigilância, o hacking e a coleta e retenção de dados dos mais variados adversários, de governos a bisbilhoteiros casuais, passando por corporações e criminosos. A iniciativa é baseada no australiano Privacy for Journalists, projeto da organização sem fins lucrativos CryptoAustralia.
Desde que o jornalista brasileiro Raphael Hernandes lançou a plataforma, no dia 6 de março de 2017, ele tem sido procurado por colegas na redação que precisam de dicas sobre como se proteger em suas apurações. Hernandes é repórter de audiência e dados na Folha de S. Paulo, onde ofereceu um pequeno workshop sobre o assunto. Segundo ele, a questão de privacidade tem despertado interesse entre os colegas.
“Dá pra ver que quem acessa [o site] é interessado. Fica bastante tempo nas páginas e vê várias páginas por visita (média de 6), o que mostra interesse no conteúdo. Tem muita coisa para as quais não nos atentamos no dia a dia, o quão expostos estamos”, disse Hernandes ao Centro Knight.
O site que inspirou Hernandes surgiu da iniciativa pessoal do especialista em segurança da informação Gabor Szathmari, presidente da CryptoAustralia. Ele trabalhou com a Walkley Foundation na CryptoPartySydney, evento para ensinar regras de segurança digital para jornalistas.
“Pensei que, já que teria que desenvolver materiais para o workshop, por que não publicá-los para o benefício de toda a comunidade de jornalistas na Austrália e no mundo? Pesquisei por aí, e mesmo que eu tenha encontrado alguns materiais valiosos online, não achei nenhum tutorial sobre privacidade ou segurança que falasse especificamente da Austrália”, disse Szathmari ao Centro Knight.
A preocupação com a segurança digital não é exclusiva do Brasil. Várias organizações de jornalismo ao redor do mundo têm seções dedicadas à segurança digital. Outras organizações dedicadas à segurança digital, como a Electronic Frontier Foundation, oferecem dicas específicas e guias para jornalistas e suas fontes.
Raphael Hernandes explicou que é importante entender qual proteção usar em cada caso.
“O sigilo das nossas fontes é uma das coisas mais importantes que temos. Se é uma pessoa com que falamos todo dia, não há necessidade de escondê-la, mas talvez a fonte esteja mandando algo sensível e seja importante encriptografar. Não devemos viver em uma paranoia, mas pensar nas nossas fontes e no que elas precisam. É tratar resfriado com remédio de resfriado, não com bala de canhão”, disse.
Segundo Hernandes, a discussão é especialmente relevante no Brasil. No Marco Civil da Internet do país, está prevista a coleta e retenção por um ano de dados de navegação pelos provedores. Até então, é necessária ordem judicial para acessar esses metadados, mas um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados quer retirar este requisito.
Para Hernandes, este cenário deixa uma situação em que jornalistas e indivíduos devem deixar o mínimo de rastros possíveis – o que ele garante que não é uma tarefa difícil.
“De fato, tem coisas que são mais avançadas, como por exemplo configurar o GlobaLeaks (ferramenta segura de troca de arquivos e mensagens). Mas estamos aqui para ajudar. E, tirando isso, a maioria são ferramentas que podemos usar em casa quando quiser. Pode parecer difícil no começo, mas mais porque tem palavras que não usamos todo dia, como back door (softwares que permitem o acesso remoto ao computador)”, disse.
De acordo com Szathmari, as medidas de segurança mais básicas incluem substituir programas de mensagem como o Messenger e o Skype por plataformas encriptografadas, como Sinal e Wire. Em casos mais sigilosos, outras medidas são necessárias. “Deixe seu smartphone em casa se você vai se encontrar com a fonte - ele é uma máquina espiã. Sugiro evitar o computador em geral e tirar a poeira do bom e velho bloquinho caso sejam anotações muito sigilosas”, recomendou.
A preocupação com a segurança digital não é exclusiva do Brasil ou da Austrália. Várias organizações de jornalismo ao redor do mundo, como o Comitê para Proteção de Jornalistas (CPJ), têm seções dedicadas ao assunto. Outras organizações dedicadas à segurança digital, como a Electronic Frontier Foundation, oferecem dicas específicas e guias para jornalistas e suas fontes.
Veja algumas ferramentas básicas de proteção, segundo Raphael Hernandes:
Criptografia de HD e de pen drives - A criptografia coloca uma senha em HDs e dispositivos USB, que protegem fontes e arquivos pessoais caso o equipamento seja perdido ou roubado.
Autenticação em duas etapas - Usada no acesso web de bancos, pode ser configurada em seu e-mail e redes sociais. O login é feito com algo que você sabe (sua senha) e algo que você possui (um código enviado a seu smartphone, por exemplo). Isso evita problemas mesmo se você tiver as senhas comprometidas.
Signal - Aplicativo disponível para smartphones de mensagens criptografadas. Se o celular for interceptado, ninguém consegue entender o que foi escrito por lá.
Sync.com - Sistema de armazenamento em nuvem gratuito. Ele utiliza o protocolo de conhecimento zero, ou seja, armazena as informações mas não sabe o que está sendo armazenado. Via de regra, os sites que usamos comumente analisam os arquivos e passam relatórios para as autoridades. O Sync é criptografado e mais seguro, de uso bem simples.
PGP - Sigla de Pretty Good Privacy (Privacidade Muito Boa). É uma forma de criptografar e-mails. Como uma espécie de baú, mas com duas chaves: uma para trancar e outra para destrancar. Você distribui a chave que tranca o baú, para que as pessoas te mandem arquivos e mensagens. Mas só você tem as chaves para destrancar o conteúdo.
Fonte: https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18526-site-brasileiro-ensina-jornalistas-proteger-fontes-e-dados-pessoais-de-ataques-digitai