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sexta-feira, 7 de julho de 2017

“Ser apolítico é uma forma de culpa”: o celebrado documentário sobre a secretária de Goebbels, que “nada viu e de nada sabia”

Publicado na DW.
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Estreia no Festival de Cinema de Munique, nesta quarta-feira (06/07), um filme-entrevista sobre uma notável testemunha da era nazista: hoje com 105 anos de idade, Brunhilde Pomsel foi estenógrafa e secretária pessoal de Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda de Adolf Hitler, nos últimos três anos da Segunda Guerra Mundial.
A partir de várias horas de entrevistas, quatro diretores – Christian Krönes, Olaf Müller, Roland Schrotthofer e Florian Weigensamer – montaram um documentário elucidador. A concepção de Ein deutsches Leben (Uma vida alemã) é quase minimalista: em preto e branco, suas longas sequências de diálogo só são interrompidas por breves cenas documentais.
Ao enfocar de forma distanciada uma contemporânea da época nazista que servia em posição subalterna, o resultado é mais convincente do que muitos dos incontáveis e pomposamente encenados programas da TV alemã sobre a Segunda Guerra e o Holocausto. A própria protagonista aprovou, comentando: “É importante, no fim da vida, ser colocada diante do espelho e reconhecer tudo o que se fez errado.”
DW: Brunhilde Pomsel se mostrou imediatamente disposta a participar de Ein deutsches Leben?
Christian Krönes: Nós encontramos a Sra. Pomsel por acaso, no decorrer de uma outra pesquisa. Esse não mais esperado encontro com uma lenda viva foi, então, pretexto para nós arriscarmos a tentativa. Quando começamos a rodar, ela estava com 101 anos. Nós sabíamos que não íamos ter muito tempo mais, mas queríamos fazer esse filme de todo jeito.
Como transcorreram os preparativos e a filmagem?
CK: Levou um tempo para ela relaxar, pois ela tinha tido experiências muito ruins com a mídia, que apresentou a história dela e as entrevistas de forma muito abreviada. Levou algum tempo para convencê-la. Quando ela estava pronta, aí enfrentou com grande concentração e disciplina os trabalhos de rodagem, certamente muito cansativos para ela. Foi realmente a primeira vez que se abriu de forma abrangente.
O espectador tem a impressão de que a Sra. Pomsel se expressa e também reflete com honestidade. Vocês também tiveram essa sensação durante as gravações?
CK: Não acredito que ela tivesse recalcado os fatos. Ela certamente refletiu. Ela também participa muito dos acontecimentos atuais, reflete sobre o presente, sobre a própria vida. Sem dúvida, na narrativa dela há fórmulas de expressão que se repetem. Com certeza ainda há um detalhe ou outro, uma história ou outra, que ela não nos contou e que nunca contou.
Por outro lado, de certa forma ela fez uma confissão sobre a própria vida. Quando lhe mostramos o filme, de que gostou muito, ela pronunciou uma frase francamente admirável: como é importante, no fim da vida, ser colocada diante do espelho e reconhecer tudo o que se fez errado.
Ela oscila entre “rechaçar a culpa” e “confessar”. Isso ainda é o reflexo do comportamento de muitos após a Segunda Guerra?
CK: Acho que a Sra. Pomsel é representativa de milhões de outras pessoas, de milhões de colaboradores passivos que tornaram possível esse sistema. Isso é provavelmente o aspecto que torna esse filme histórico, esse documento da história recente, tão interessante para o presente. O filme conta sobre uma sociedade funcional que sai dos eixos: crise econômica mundial, desemprego, ascensão dos nacional-socialistas – menos de uma década mais tarde, isso desemboca na maior catástrofe da história da humanidade.
No presente estamos, de certa maneira, numa situação muito semelhante, o que torna o filme moderno e atemporal. Superamos uma crise econômica e somos atingidos por uma onda de refugiados. Por toda a Europa, os partidos de direita se fortalecem. O problemático é que não é apenas um país, como a Alemanha naquela época, mas desta vez é o continente europeu como um todo que de certa maneira vai resvalando para a direita.
Uma cena mostra a Sra. Pomsel reagindo de forma emocional, que é quando ela fala da morte dos filhos de Goebbels. Em relação às outras vítimas, ou seja, judeus, civis, etc., a reação dela é menos emocional. O que isso revela?
Florian Weigensamer: Há ainda uma segunda cena, que trata de Sophie Scholl e da resistência. Pomsel diz: “Esses pobres jovens, executados por causa de um panfleto…” Ambas as cenas demonstram muito bem, acho, que para a Sra. Pomsel o que estava em jogo eram sempre as emoções pessoais, e nunca o “estar acima dos fatos”, o panorama político global. Isso, ela nunca viu.
Ela tem pena dos dois pobres jovens executados por causa de um panfleto: “Se eles tivessem ficado de boca fechada, estariam vivos até hoje.” Em si, isso é uma constatação absurda, mas que, no mundo dela, tem lógica. Pois ela só se importa com essas duas pessoas. E, como com os filhos de Goebbels, o que conta para ela são apenas as emoções pessoais: “As pobres criancinhas…” Para ela, todo o desvario em volta não conta.
Vamos falar de estética cinematográfica: vocês trabalham em preto e branco e sem comentários, e inserem apenas breves documentários entre os blocos de entrevistas, filmes de propaganda nazista ou rodados pelos Aliados logo após a libertação dos campos de concentração.
CK: O tema em questão é atemporal. Nós queríamos experimentar lhe dar uma estética também atemporal. Nós optamos pela variante em preto e branco, que dá esse caráter; mediante a situação de estúdio, nós situamos Brunhilde Pomsel fora do espaço e do tempo.
FW: O material de arquivo não se pode comentar: em si, ele já é propaganda. Intervir novamente aí seria propaganda ao quadrado, disfarçada de material histórico. Nós queríamos deixá-lo intencionalmente dessa forma, sem música, sem cortes, sem a nossa intervenção. Queríamos caracterizar o material pela finalidade para que foi produzido. Aí, ele conta uma história diferente da que se costuma ver nos especiais de televisão.
Se bem que não se trata só de propaganda nazista: também as sequências registradas por americanos e russos depois da libertação são mostradas sem comentários. Por quê?
FW: É claro que, de certo modo, é para ser também um contraponto à visão da Sra. Pomsel sobre essa época. “Ah, meu Deus, os judeus… Eu nem percebi nada… os campos de concentração…” Então é simplesmente preciso mostrar o que foi e que era perfeitamente possível saber, sim, se se quisesse, e se tivesse visto essas imagens.
Essa é a única acusação e a única culpa que ela carrega. Olhar para o lado é culpa, sim, e ser apolítico já é culpa suficiente. A intenção não foi desmascará-la como nazista. Isso ela decerto não era. Ela só era desinteressada – e isso é, justamente, uma forma de culpa.

Em defesa da Universidade Pública

Governo ilegítimo de Temer quer interromper o financiamento público das Instituições Federais de Ensino
Com o processo de golpe parlamentar-jurídico-midiático que ocorre há pouco mais de um ano no Brasil, se extinguiram todos os espaços de negociação, por parte do executivo federal, com a FASUBRA e com diversas outras entidades que representam a classe trabalhadora.
Durante o período, de intensificação dos ataques aos direitos sociais, o governo ilegítimo avançou na construção de uma política direta de privatização das Universidades Federais, através da Emenda Constitucional nº 95/2016 combinada com o incentivo à adoção de políticas de cobrança de mensalidades para cursos de pós-graduação Lato Sensu, que ganhou força após decisão do STF.
Além disso, tomamos conhecimento através de uma mensagem eletrônica enviada pelo Secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, para os membros do Conselho Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) de mais um novo ataque a educação superior pública no país, que se traduz na proposta do Ministério da Educação e do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, de retirar do orçamento público mantido pelo tesouro os valores referentes à verbas extra orçamentárias eventualmente arrecadadas pelas universidades.
Repudiamos essa proposição política por parte do Governo, uma vez que esta medida apresenta duas perspectivas: a primeira é de conduzir as Universidades Públicas a buscarem recursos próprios, para além dos limitados recursos financeiros previstos pelo Orçamento Geral da União, na esfera pública e privada, de modo que tal perspectiva conduza, de forma avassaladora, as Universidades para o caminho da sua mercantilização de sua estrutura.
A segunda perspectiva é de que qualquer aumento no orçamento de custeio das Universidades Públicas oriundo do crescimento de receitas próprias passe a suplantar os recursos advindos do Tesouro Nacional, sinalizando a redução do compromisso do orçamento na provisão de recursos para as Universidades Públicas. Na prática, quaisquer recursos de receitas próprias passarão a ser subtraídos do que está previsto pela Lei Orçamentária e não mais serão recursos suplementares.


Se as trabalhadoras e trabalhadores técnicos administrativos em educação não se mobilizarem contra esse retrocesso, as Universidades Públicas serão totalmente desconfiguradas em pouco tempo. Nesse sentido, apresentamos duas orientações para as entidades de base filiadas à FASUBRA:
  1. Realizar articulações entre as Entidades Sindicais Filiadas à FASUBRA, Seções Sindicais das/dos Docentes, Diretórios Centrais dos Estudantes, Centros e Diretórios Acadêmicos, Associação de Pós-Graduandos; visando construir uma Assembleia Universitária para debater as questões referentes ao financiamento das Instituições Federais de Ensino Público, defendendo o financiamento estatal para a manutenção e desenvolvimento das instituições.
  2. Que as entidades sindicais da base da FASUBRA organizem no dia 3 de agosto, o dia nacional de paralisação em defesa da Universidade Pública, protocolando junto às reitorias documento solicitando apoio de cada reitor e reitora junto à ANDIFES, buscando a abertura de negociação com o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, tendo como eixo central: Defesa da manutenção do financiamento público e estatal das Instituições Públicas de Ensino Superior e Campanha Salarial.
A FASUBRA Sindical apresentará ao ANDES-SN, SINASEFE, e UNE proposta de articular uma ação unificada em Brasília-DF no decorrer do mês de agosto, visando defender o histórico caráter público das Instituições Públicas de Ensino Superior, com o estabelecimento de uma mesa de negociação com o Governo. Além disso, enviará uma proposta de texto a ser utilizado pelas entidades filiadas durante o dia nacional de paralisação em defesa da Universidade Pública, para que tenhamos condições de estabelecer uma intervenção unificada nacionalmente.
São inúmeros os ataques aos nossos direitos e ao nosso futuro. No decorrer dos meses de Julho e Agosto, além de lutarmos contra a terceirização e contra a Reforma da Previdência e Trabalhista, precisaremos também intensificar a nossa luta em defesa da sobrevivência das Instituições Federais de Ensino do país.
Direção Nacional da FASUBRA
7 de Julho de 2017
Agenda
11 de Julho – Dia Nacional de Lutas contra a Reforma Trabalhista
12 a 17 de Julho – Período de articulação com os segmentos da Comunidade Acadêmica (Entidades Sindicais Filiadas à FASUBRA, Seções Sindicais das/dos Docentes, DCEs, APGs) para a construção de uma Assembleia Universitária para debater as questões referentes ao financiamento público das Instituições Federais de Ensino.
18 a 28 de Julho – Período de realização de Assembleias das entidades para construção do dia nacional de paralisação em defesa das Instituições Federais de Ensino.
18 a 28 de Julho – Período de realização de Assembleias Universitárias.
3 de Agosto – Dia Nacional de Paralisação em Defesa da Universidade Pública, com ações nas reitorias
Protocolar documento para as/os reitoras/es, que tenha o teor de solicitar a ANDIFES que pressione o Governo Federal para realizar reuniões com as entidades da educação para tratar do financiamento público das Instituições Públicas de Ensino Superior e da Campanha Salarial.
2ª Quinzena de Agosto – Ação em Brasília em defesa da Universidade Pública em conjunto com as entidades da educação (Data ainda a definir)
Fonte: FASUBRA

UBES convoca 16º Coneg e define próximos passos

Em reunião nesta terça (4/7), diretoria definiu data do próximo Conselho Nacional de Entidades Gerais em setembro e reafirmou força total por “Diretas Já”.

A diretoria executiva da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas, composta por jovens de vários estados, se reuniu na sede da entidade em São Paulo nesta terça-feira, 4/7, para traçar os próximos passos da UBES. Prepare-se: entre as principais definições, ficou agendado para 8 e 9 de setembro o 16° Conselho Nacional de Entidades Gerais (Coneg). Também está definida a realização de um Encontro de Mulheres Estudantes no dia 7 de setembro.
No final, a diretoria preparou em conjunto uma nota unitária sobre as definições do encontro, que pode ser lida aqui.

Diretas Já e Se Liga, 16

Ao analisar o contexto nacional e sua gestão na UBES, os jovens destacaram que as lutas mais importantes atualmente são contra as reformas impostas por Michel Temer e por eleições diretas e que, por isso, as atividades dos secundaristas estarão a serviço destas bandeiras.
Neste sentido, ficou definido ainda que o movimento secundarista vai resgatar a campanha “Se Liga, 16”, criada inicialmente durante a campanha pelas eleições diretas em 1984, para estimular que a juventude tire seu título de eleitor.
A nota explica: “A participação da juventude na política é fundamental. Os jovens sempre tiveram protagonismo na luta do nosso povo e, mais uma vez, devemos ousar e usar do ‘Se Liga 16’ para impulsionar a discussão sobre a importância do voto”.

Fórum Popular de Educação

Durante a reunião, que foi transmitida ao vivo, os estudantes falaram muito sobre como as políticas de Michel Temer desvalorizam uma educação pública de qualidade e gratuita. Para eles, a atuação da juventude é fundamental para inverter a lógica das prioridades nacionais, como no caso das ocupações de escolas contra a reforma do Ensino Médio e contra o congelamento do orçamento.
Também foi um tema discutido a atual falta de democracia dentro do Fórum Nacional de Educação, até então composto pela UBES e diversas outras entidades para construir políticas educacionais. Depois da portaria 577/17 do Ministério da Educação, que retira entidades deste grupo, ss estudantes sinalizaram para esvaziar o fórum e construir um novo espaço, o Fórum Nacional Popular de Educação. Dentro desta esfera os secundaristas estarão engajados pela realização de uma Conferência Nacional Popular de Educação, de fato democrática.

Saiba mais: o que é o Coneg?

O Conselho Nacional de Entidades Gerais é um fórum organizado anualmente para reunir representantes das uniões secundaristas municipais e estaduais. Além de promover discussão, troca de experiências, conhecimentos e pautas comuns dos líderes secundaristas do Brasil todo, o Coneg prepara e convoca o Congresso da UBES, no qual a nova diretoria é eleita.
A participação é aberta a qualquer estudante do ensino fundamental, médio, técnico e pré-vestibular. O cadastramento deve acontecer no dia 31 de agosto e logo o site da UBES trará mais informações.
Fonte: UBES