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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Ivan Poli: O Fundamentalismo Religioso contra a Laicidade e os Valores Civilizatórios Africanos na Educação Brasileira faz suas Vítimas

Denúncia: O Fundamentalismo Religioso contra a Laicidade e os Valores Civilizatórios Africanos na Educação Brasileira faz suas Vítimas.
Os retrocessos não cessam. Recebo uma denúncia que fere não apenas a liberdade de expressão, mas também as Leis 10639/03 e 11645/08. A Universidade ao invés de abrir um espaço de debate e diálogo para enfrentar o preconceito religioso e em grande medida racial, escolheu o caminho mais fácil, a demissão do professor que não abriu mão de educar e formar com o compromisso de combater o fundamentalismo religioso, os preconceitos e a ignorância promovida por igrejas que fizeram da fé um mercado e dos fiéis consumidores.
Sou um professor da Universidade de São Paulo e leciono a disciplina de Etnicidades e Africanidades em um curso de pós Graduação voltado sobretudo para militantes do Movimento Negro na Escola de Comunicação e Artes desta Universidade.
Sou também um militante do movimento negro e autor de livros sobre o Renascimento Africano reconhecido por autoridades políticas, acadêmicas e tradicionais deste continente na defesa dos valores civilizatórios africanos sobretudo na Educação.
Até semana passada fui professor de diversas disciplinas do curso de Pedagogia da Universidade de Guarulhos pertencente ao Grupo Ser até ser desligado devido ao baixo resultado de minha avaliação institucional por parte dos alunos desta instituição como também devido à diretiva do Grupo Ser em não desagradar estes alunos.
Devido minha larga experiência internacional em diversos países e meu trabalho dentro da militância pela diversidade e questões étnico-raciais fui contratado pela Coordenação Pedagógica em janeiro com o objetivo de  proporcionar aos alunos do curso de Pedagogia o diferencial do repertório cultural e dos valores da diversidade tão necessários a formação do Educador nos dias de hoje.
Ao iniciar apresentei minha obra dentro do Renascimento Africano e Diversidade Cultural a quem pudesse interessar e falei em questões relativas a esta diversidade que devemos falar das dimensões sociológica (que forma corpos sociais) e pedagógica (que cria padrões de comportamento que imitamos) que são funções civilizadoras dos mitos africanos na Educação em cumprimento à lei 10639/03  assim como são aceitos socialmente os mitos nórdicos e helênicos nestas dimensões  e no objetivo de descolonizar nosso currículo escolar, mas que não é correto usar liturgias religiosas em sala de aula, como orar o Pai Nosso que é uma prática comum em escolas públicas da Grande São Paulo que apesar de ilegal pelo princípio de laicidade do Estado, nós que somos professores sabemos que é socialmente aceita  e praticada por professores cristãos sobretudo evangélicos neopentecostais com o objetivo de “ acalmar os alunos” sem que isso sofra qualquer punição. O que causou manifestações adversas de alguns alunos.
Entre as disciplinas que lecionava estava Filosofia para alunos do 5º semestre do curso em dois campi. Ao ver que  o curso como um todo não contemplava autores clássicos da educação essenciais na formação  do educador fiz a introdução destes autores ao que fui autorizado e incentivado pela Coordenação com o objetivo de contemplar conteúdos do exame de avaliação do curso ( ENADE) que seria realizado no final do ano por estes alunos.
Usei inclusive minha obra acadêmica “ Pedagogia dos Orixás “ resultado de minha dissertação de Mestrado cuja pesquisa gerou diversos relatórios para a SEPPIR e MEC utilizados na implementação de políticas públicas durante os governos Dilma. Usei os capítulos para apresentar um autor clássico na Sociologia da Educação e outro na Área de Psicologia da Educação presentes na obra ao que fui igualmente autorizado pela Coordenação.
Para minha surpresa fui questionado em uma sala  deste 5º semestre pela representante que falou supostamente em nome da sala que eu estava usando um livro religioso que haviam alunas que  estavam se recusando a ler devido a falar em Orixás no título, que corresponde ao mesmo absurdo de um aluno ateu se recusar a ler o clássico de Max Weber em Sociologia  “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo” por citar o protestantismo.
Em outra sala do mesmo campus em que usei o livro fui denunciado por  alunas à Coordenação por  “fugir do programa e usar livros inapropriados à disciplina de Filosofia, como o Pedagogia dos Orixás” (onde usei autores clássicos de Sociologia da Educação e Psicologia da Educação ausentes no programa do curso) e os textos clássicos da Filosofia de Platão e Rousseau que fiz com autorização da Coordenadora para se aproximar ao currículo da USP.
Para parar de gerar polêmica neste campus pedi que  os alunos fizessem uma resenha crítica dos capítulos em questão de minha obra acadêmica "Pedagogia dos Orixás"  e que indicassem baseado em autores igualmente da academia o que era inapropriado para o uso em um curso de Pedagogia.
Alguns dias depois fui alertado pela Secretaria do Campus que os alunos de uma destas salas do noturno na qual lecionava estavam indo reclamar da religiosidade do título do  meu livro ( que é uma dissertação acadêmica) e me sugeriu para que não descontentasse os alunos, o que é uma diretiva do Grupo Ser a  passar somente as páginas dos capítulos em questão sem mostrar o título Pedagogia dos Orixás, ao que me neguei e reforcei que justificassem academicamente a partir de autores onde havia conteúdo inapropriado para o uso em um curso de Pedagogia a partir de uma resenha crítica.
Bem os alunos fizeram,  contudo uma aluna me alerta que haviam  outras alunas que estavam combinando me avaliar mal em retaliação ao fato de tê-las obrigado a ler meu livro “ religioso” segundo elas.
Nas áreas dos campi que lecionava 80% da comunidade é evangélica neopentecostal e não me admira nada se descobrir no futuro que tal combinado tenha sido feito em um culto de igreja igualmente neopentecostal como proliferam pelas regiões e toda periferia da Grande São Paulo.
Em outro campus peço que seja feita a mesma resenha dos mesmos capítulos do meu livro “ Pedagogia dos Orixás” em Sociologia da Educação e Psicologia da Educação e a representante que é evangélica juntamente com outra aluna me pedem para que lhes dessem outros livros pois estavam impossibilitadas de fazer a resenha crítica de tais livros por razões religiosas devido ao fato de minha dissertação acadêmica falar sobre Orixás e elas serem evangélicas. Cito o caso de Weber que tem a palavra Protestante em um dos livros e nem por isso o clássico da Sociologia é um livro religioso e  elas falam que neste caso era mais importante o Protestantismo e isso justificava o uso de Weber.
Dizem que não podem fazer a resenha de meu livro acadêmico por eu ter  na dedicatória da minha dissertação dedicado o meu anel de pós graduação e minha obra a meus ancestrais africanos na figura de Xangô da qual tenho descendência e é a minha origem mais nobre da corte de Oyo que descendo por linhagem materna em uma sociedade matrilinear. ( Para elas era coisa do demônio). De qualquer forma disseram que não fariam a resenha de um livro dedicado  aos Orixás (que para elas era o demônio) nem a mães de Santo como Mãe Stella e Oba Biyi que tem uma função histórica no combate ao Racismo no Brasil.
Falei que aquilo era um ato racista contra os valores civilizatórios africanos de meus ancestrais e que me sentia fortemente ofendido por ver agredida pelo fundamentalismo religioso minha origem mais nobre de onde herdei meus principais valores civilizatórios pois se estivesse falando de origens e mitos  europeus isto não aconteceria ao que elas se surpreendem e se ofendem fortemente motivando uma campanha entre as demais alunas evangélicas para que não fizessem a resenha e dizendo que não era racismo de forma alguma.
Bati firme na questão e disse que se quisessem podiam ir à  coordenação ou mesmo à Justiça que não mudaria o livro.
Na semana seguinte sou questionado pela coordenação para que me retrate frente as alunas da sala devido a uma série de insatisfações levantadas pela representante (a mesma que me questionou quanto ao livro)  pois era uma diretiva do Grupo Ser não deixar os alunos insatisfeitos. Entre os pontos estava a questão de elas não estarem satisfeitas com o feedback que dei sobre o uso do meu livro acadêmico “Pedagogia dos Orixás” e que me retratasse frente as alunas por ter obrigado tal uso com a pressão pra que mudasse de atividade para que as alunas não ficassem insatisfeitas para assim seguir a diretiva do Grupo Ser.
Me revoltei com tal atitude e disse que se alguém tinha que se justificar frente ao caso eram as alunas que questionavam o uso de uma obra acadêmica por razões religiosas e que era inadmissível e mesmo ilegal e criminoso frente ao conceito de laicidade do Estado que eu tivesse que me retratar frente a alunos pelo uso de uma obra acadêmica por razões de cunho religioso que ofendiam inclusive os valores civilizatórios africanos historicamente constituintes de nossa civilização e identidade nacionais.
Deixo bem claro isso que aquele ato era criminoso frente o conceito de laicidade do Estado e que aquilo contrariava estes  princípios e devido a pressão sofrida para que os alunos não ficassem descontentes segundo as diretivas do Grupo Ser, deixando claro que o caso era passível de  denúncia ao Ministério Público me vejo obrigado a mudar de atividade e preparo um questionário sobre laicidade e diversidade para aplicar nas salas para poder  diagnosticar  o quanto os alunos daquela instituição conheciam estes conceitos.
No dia seguinte em retaliação pela Coordenação levo uma advertência frente a Diretoria de Área de Humanas do Grupo SER por diversos fatores  principalmente por supostamente ter mudado o programa sem o consentimento da Coordenação ( o que não é verdade)  e sou informado que minha avaliação institucional por parte dos alunos dos campi estava muito abaixo da média dos outros professores (que não “desagradaram” os alunos) e na sequência com o pedido de disponibilidade de horário para o semestre seguinte  sou informado que o critério principal para atribuição de aulas seria a avaliação institucional dos alunos.
No dia de aplicar a prova e questionário para esta turma a qual tive que me retratar por ter usado meu livro acadêmico Pedagogia dos Orixás,  a representante, por razões religiosas,  se recusa a responder este questionário sobre laicidade e diversidade e, igualmente, por razões religiosas  incita as alunas evangélicas a não responderem em que é seguida por diversas alunas e declara frente a todos na sala que podem testemunhar  de forma desrespeitosa e agressiva que estava fazendo aquilo para salvar meu emprego (deixando evidente que as insatisfações levadas à coordenação tinham o propósito que perdesse o emprego) e que não responderia o questionário pois ficou profundamente incomodada com a minha dedicatória de meu anel de pós-graduação e minha obra acadêmica  a meus ancestrais de origem africana na figura de Xangô assim como as autoridades de comunidades tradicionais e ao patrimônio histórico nacional que é o  Ile Ase Opo Afonjá em Salvador a quem fazia agradecimentos da pesquisa.
Ao sair da sala como todos são igualmente testemunhas ela me ameaça e diz  que se marcar o nome dela em algum questionário que o caso sairia dali  e vai em comitiva reclamar à Coordenação que eu estava obrigando-as a estudar sobre Orixás (e que para elas era errado por ser coisa do demônio) ao que não há uma resposta positiva e então reclamam que a prova estava muito fácil que todo mundo foi muito bem e terminou muito rápido e que não se sentiram avaliadas. Levam isso à Coordenação alegando que eu dei as respostas da prova por ter aplicado um questionário com perguntas semelhantes na aula anterior de revisão que fizera que faz com que eu  tenha de me justificar a pedido da Coordenação à Direção de Área, sobretudo, por deixar as alunas insatisfeitas e contrariar as diretivas do Grupo Ser. Preparo então outra prova do mesmo tema para ser aplicada a estas  alunas que se sentiram descontentes por não terem se sentido avaliadas, contudo elas se negam a fazer e um grupo de alunas vai à Coordenação dizer que estas alunas revoltadas de fato por eu lhes obrigar a ler meu livro  acadêmico “ Pedagogia dos Orixás” mentiam quando diziam que havia dado respostas.
De qualquer forma o único punido fora eu, nada aconteceu a estas alunas, pois pela diretiva do Grupo Ser os alunos não podem ficar insatisfeitos.
Nos questionários entre as perguntas que faço ainda é alarmante em pleno século XXI  o número de alunos destas turmas do 5º semestre  que não sabe o que é Laicidade, que não acham errado orar em sala de aula e que afirmam que mesmo trabalhando em escola pública terão esta prática frente aos alunos. Também é relevante o número de alunos que não respondeu o questionário de diversidade e laicidade por questões religiosas para não expor sua opinião assim como os que se recusariam a falar em mitologia africana (Orixás), mas não se recusariam a falar em mitologia nórdica e helênica alegando que no caso dos Orixás se trata de religião. Também é relevante o número que não considera racismo, mas justificável por razões religiosas,  não falar em mitos e valores civilizatórios africanos em sala de aula  como pede a lei federal 10639/03 o que indica razões pelas quais a laicidade não é respeitada na Educação Pública assim como os valores civilizatórios africanos fundadores de nossa civilização nacional são igualmente negligenciados devido ao fundamentalismo religioso sobretudo neopentecostal apesar da legislação neste sentido assim como o caráter laico da educação pública.
Ao fim do período de provas sou chamado pela Coordenação que informa sobre meu  desligamento do grupo SER devido ao fato de não me adaptar ao que chama “perfil cultural” dos alunos dos campi e que meu perfil é para os padrão cultural dos alunos de Universidades como a USP ( onde ao contrário do que aconteceu na UNG tenho altíssimo nível de aprovação entre os alunos de pós graduação usando somente minhas obras)  o que ocasionou minha baixa avaliação institucional,  resultado de minha demissão, que chegou a admitir que teve influência de racismo e preconceito conforme chegou a discutir com determinados representantes de sala. Afirma que minhas aulas e programa tinham um nível muito superior ao capital cultural dos alunos da instituição que na verdade reclamavam a  volta do currículo de educação tecnicista e que este “descontentamento” por parte dos alunos  com um currículo que traz repertório cultural e temas inquietantes da diversidade  também foram razões para minha baixa nota na avaliação institucional e que voltaria a aplicar o currículo tecnicista a pedido pelos alunos, (alguns alunos raros que gostavam da questão do repertório cultural também chegaram a me dizer e que ocorreu o mesmo com outros professores que não seguiam o currículo da formação tecnicista). Também afirma que fora diversas vezes questionada pela Reitoria devido ao uso de minha obra acadêmica “Pedagogia dos  Orixás” devido a reclamações que aí chegaram por autoridades (que não soube explicar quais eram , mas posso mesmo imaginar) e que isto também pesou no quadro em geral.
Independente do que possam vir a alegar quanto minha demissão, é fato inegável a ilegalidade do ato em pedir que me retratasse frente a alunos devido ao uso de uma obra acadêmica autorizada pela Coordenação a integrar o currículo por razões religiosas o que não condiz com as regras da academia e fere o princípio de laicidade do Estado o que já é suficiente para uma ação junto ao Ministério Público.
Agradeço a todas entidades políticas, do Movimento Negro e das Comunidades Tradicionais que estão se manifestando e se manisfestarão em repúdio ao ato de racismo, ofensa à laicidade e aos valores civilizatórios africanos na Educação por todo o Brasil, pois como aconteceu comigo, acontece com diversos professores que defendem estes valores e a laicidade Brasil afora conforme sabemos.
O repúdio a este ato gerou reações até mesmo do outro lado do Atlântico por parte das autoridades africanas que reconhecem minha obra como integrante do Renascimento Africano e representante dos valores civilizatórios africanos na Educação.
A Família Real do Daomé representada pelo herdeiro do trono o príncipe de Abomey  Serge Guézo, descendente direto do Lendário Rei Guézo e de Na Agontimé, fundadora do Candomblé Jeje no Brasil como detalha o documentário de Pierre Verger quando foi desterrada ao Brasil como escrava e também tida como uma das precursoras da tradição do Tambor de Mina está colocando o assunto na pauta do Manifesto do Evento do Bicentenário do lendário Rei Guézo no qual autoridades tradicionais e intelectuais africanos discutirão suas questões.
O que mais deixou  revoltada a família real do Daomé que reconhece em minha obra a defesa dos valores civilizatórios africanos na Educação foi o fato de uma mulher negra que talvez nem se declare negra repudiar e odiar os próprios ancestrais míticos de seu povo. Recusar a ancestralidade para um africano, independentemente da sua religião é negar um valor civilizatório central e o próprio senso de humanidade que o constitui criando um estado de barbárie inaceitável em uma sociedade. Ancestralidade é Memória e Memória é Resistência assim afirmo em minha obra que por isso é reconhecida por  estas autoridades como representantes do Renascimento Africano e, um povo que nega a ancestralidade ofende a Memória Histórica Nacional e por não resistir se descaracteriza, e isto é o que mais os deixou tristes.
Como reação à agressão aos valores civilizatórios africanos na Educação reconhecida por esta família real em minha obra, o príncipe de Abomey Serge Guézo está refazendo o pedido de restituição do trono do rei Andadozan que foi enviado pelo rei Guézo ao Brasil no século XIX em uma missão diplomática do Daomé na busca da rainha Na Agontimé fundadora da Nação Jeje do Candomblé usando mais este argumento e em ato de repúdio a ofensa aos valores civilizatórios africanos presentes em minha obra.
Além de pertencer historicamente ao Benin por ser um elemento de culto aos príncipes de Abomey, esta ação segundo o príncipe Serge Guézo visa ser uma reação de repúdio que chame a atenção das autoridades para a agressão que os valores civilizatórios africanos presentes em minha obra sofreram assim como sofrem todos professores que as defendem de forma heróica em nosso país. Também é um repúdio à invasão de nossas casas de matrizes africanas assim como sua ancestral Na Agontimé fundou no Brasil guardiãs de nossos valores civilizatórios para resistir ao ódio religioso, muitas vezes inclusive, de negros que foram privados de ter o contato com os seus  valores ancestrais  (uma outra  razão de minha obra reconhecida pela família real do Daomé ) independentemente de suas religiões.
Também é um ato simbólico de solidariedade aos que lutam contra o genocídio da juventude negra de todas as formas muitas vezes privadas de seu patrimônio civilizatório e, igualmente, como uma forma de repúdio a este genocídio.
Ao ser publicado este artigo a Família Real do Daomé levará o caso de agressão aos valores civilizatórios africanos na Educação representados  em minha obra como denúncia a Comissão das Nações Unidas dos Direitos Humanos e a Comissão do Decênio dos Afrodescendentes por representação do Benim.
Além desta a Família real de Savè na figura do rei de Savè que também reconhece minha obra como representante do Renascimento africano, descendente direto de Odudwa, está mobilizando as autoridades reais de origem yorubá no Benim e Nigéria para um ato de repúdio.
E por fim os estudantes das Universidades do Panafricanismo na África que usam meu trabalho como referencia e que os oriento dentro do mesmo estão divulgando a informação entre os outros estudantes para um ato de repúdio.
Ou seja , não estamos sós.
Em agradecimento a todos que se importam com  esta causa deixo os links dos meus livros sobre Renascimento Africano e valores civilizatórios africanos para download e consulta gratuitamente (academia.edu), pois  creio que intolerância, ódio  e fundamentalismo só se combate com conhecimento.
Indico, igualmente, a Obra de minhas precursoras  Conceição Oliveira ( África, tantas Áfricas ) e Vanda Machado (Ire Ayo) como representantes destes valores civilizatórios africanos na Educação.
Lembrando de minhas raízes, pois como diz a tradição ancestral “ A raiz sagrada do Iroko é sempre a Sagrada raiz do Iroko”.
IFE WON OMO IYA MI ( AMOR MEUS IRMÃOS)

IVAN POLI ( OSUNFEMI ELEBUIBON), AUTOR DO RENASCIMENTO AFRICANO.
Fonte: Revista Fórum

Fernando de Noronha ganha título de Patrimônio Cultural do Brasil

Conjunto Histórico do Arquipélago Fernando de Noronha, em Pernambuco, ganhou, nesta quinta-feira (22), o título de Patrimônio Cultural do Brasil. O local é considerado um paraíso brasileiro e, além de ser destino de viagens, também é abrigo das memórias, das histórias, das tradições e das narrativas que contribuem para a formação da identidade cultural do País.
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovou o tombamento por unanimidade.
A partir da decisão, que reconhece o valor histórico e cultural do arquipélago, passam a ser considerados patrimônio as fortificações e o conjunto urbano da Vila dos Remédios, incluindo algumas das edificações históricas lá encontradas.
Conjunto histórico
O Conjunto Histórico do Arquipélago de Fernando de Noronha é formado pelo conjunto de algumas fortificações e conjuntos urbanos. Um deles é o Sistema Fortificado, composto pelos Fortins de Santo Antônio, de Nossa Senhora da Conceição, de São Pedro do Boldró e pelo Reduto de Santana.
Há também o Conjunto Urbano da Vila dos Remédios, incluindo a vila ou colônia prisional e o centro urbano do povoamento da ilha; além dos seguintes bens isolados: a Vila da Quixabá, a capela de São Pedro dos Pescadores, o prédio da Air France e um testemunho da presença Americana na Ilha (“iglu” da Vila dos Americanos).
Conselho de especialistas
O Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural do Iphan, que avalia processos de tombamento e registro, é formado por especialistas de áreas como cultura, turismo, arquitetura e arqueologia.
Uma parte do grupo são 23 conselheiros que representam o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos), a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o Ministério da Educação, o Ministério das Cidades, o Ministério do Turismo, o Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram), a Associação Brasileira de Antropologia (ABA).
Além dos representantes dessas instituições, há também mais 13 representantes da sociedade civil, com especial conhecimento nos campos de atuação do Iphan.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Iphan
Brasil Cultura

Pontos de Cultura no Rio têm apoio de R$ 41,5 milhões

Como parte do programa Cultura Viva, o Ministério da Cultura (MinC) ampliou a rede de Pontos de Cultura no Rio de Janeiro com mais 34 novos espaços. Os centros vão passar a receber recursos federais para realizar atividades culturais nas áreas de dança, música, artesanato, capoeira, artes indígenas e de matrizes africanas.
As novas instituições contempladas se unem a outros 197 Pontos de Cultura selecionados em edital lançado em 2008 pela SEC-RJ. Somados, os 231 Pontos receberão, em quatro parcelas, R$ 41,5 milhões, sendo R$ 27,7 milhões repassados pelo MinC e os demais R$ 13,8 milhões pelo governo do estado.
Do total, apenas R$ 2,4 milhões ainda faltam ser transferidos pelo MinC. As instituições recém-pactuadas receberão em breve a primeira parcelas dos recursos.
Política Nacional
O programa Cultura Viva faz parte da Política Nacional de Cultura Viva, instituída em lei em 2014 para fomentar a produção cultural no País. Com o apoio do MinC e de governos estaduais, as ações já são desenvolvidas em mais de mil municípios em todos os estados.
A proposta da política é promover os mais diversos segmentos da cultura brasileira, como a de base comunitária, com ampla incidência no segmento da juventude, Pontos de Cultura Indígenas, Quilombolas, de Matriz Africana, a produção cultural urbana, a cultura popular, abrangendo todos os tipos de linguagem artística e cultural.
Fonte: Portal Brasil, com informações do Ministério da Cultura.
C/ Brasil Cultura

Zaire; As águas que caem pelo oceano”


Falar do Zaire é reviver a memória da glória da história do reino do Kongo, que sempre teve intelectuais europeus a serviço de missionários para que escrevessem a história do reino sem entender a dimensão sócio-cultural e espiritual comunitária. No entanto, sem o olhar crítico, nenhum de nós jovens entenderá o processo de registro de nossa história.

Os historiadores ignoravam a sabedoria ancestral que se transmite pela oralidade. A partir daí, começava o preconceito contra os kongos e seus saberes. Pantoja, na apresentação do livro do Patrício Batsîkama, “O reino do kongo e a história de Angola”, escreveu: “o uso das tradições orais na reconstrução dos percursos históricos faz parte da renovada historiografia africana” PANTOJA, 2009.

No passado, Zaire ou Nzadi que significa “as águas que caem pelo oceano”. Este é o berço do poder reconhecido pelos estudiosos da história da África. E, para o nosso conhecimento, Zaire não foi descoberta por nenhum estrangeiro, bem como Ngola-Angola também não foi descoberta, apesar de muitos “professores” de História de Angola, reproduzirem o discurso eurocêntrico sem questionar.

Sabe-se que os europeus exploraram e levaram para Europa máscaras e artefatos culturais bantus. Aliás, essa prática era vista como normal. As figuras de múmias estão exposta nos museus franceses, alemães e ingleses. Nesta arena cultural das práticas nativas religiosas, temos que referenciar a profetisa Kimpa Vita, como negra e líder espiritual híbrida, pois ela tinha dentro de si a africanidade e se apropriou dos conhecimentos bíblicos, pregando os valores nativos bantus.

Ela contextualizava ao seu povo, os rituais africanos e dava importância ao seu povo. Imaginem o que aconteceu depois? Simplesmente, ela foi queimada viva numa fogueira. Kimpa Vita era profetisa e líder espiritual do chamado “antonianismo”, que pregava a restauração dos valores tradicionais dos Kongos. Alguns desses valores tradicionais seriam o respeito à ancestralidade e aos mais velhos e a terra “Santa” Mbanza-Kongo.

- No entanto, Nzadi-Zaire contém uma das histórias mais antigas dentro da África Negra envolvendo os “Mani e Ntotilas-Reis ou chefes” na língua Kikongo, língua oficial no Reino do Kongo. Até hoje, a língua continua sendo a única herança viva no Zaire, pois é a língua “materna” de muitos cidadãos desta etnia.

O que aconteceu é que Nzadi- Zaire foram invadidos pelos aventureiros europeus. Confrontar o historiador 

Santos sobre o assunto lembrando que Zaire foi a entrada do cristianismo europeu, pois o primeiro aventureiro chegou “na foz do rio Nzadi- Zaire”, o tal Diogo Cão juntamente com os missionários e militares. Desde então, vale destacar que ali começava o desprezo das nossas práticas nativas religiosamente falando, e da nossa espiritualidade ancestral, que ficou simplesmente ofuscada em prol do cristianismo.

Um dos estudiosos do reino do kongo escreveu que há três linhagens “Nsaku, Mpânzu e Ñzînga”. Porém, Raphaël Batsîkama Patrício Batsîkama, os autores de um artigo “Estruturas e Instituições do Kongo” apontam que as três linhagens são os poderes locais;

Aparentemente, parece existir divisão de poderes no antigo reino do Kôngo:

“NSAKU: Sacerdócio, Presbiteriano; Religião (e Magia), Consagração das Autoridades, Diplomacia, Constituição, Poder Judiciário, Poder Legislativo.

“MPANZU: Guerra, Manufatura, Segurança da Corte, Segurança do País, Direito de Eleger

“NZINGA: Administração, Justiça, Poder Executivo (limitado), poder político (limitado), Classe das Elites das Migrações”.

São essas três linhagens que estruturam a gerência pública. Tudo indica que os Nsâku e os Mpânzu seriam os verdadeiros detentores do poder executivo que exercem através da sua Mãe Nzînga (BATSÎKAMA & BATSÎKAMA, 2011 p. 9).

Esses poderes, na atualidade, não existem mais, até porque a monarquia já não tem poder. Poderia nos dizer que Zaire “modernizou-se”, os representantes locais reconhecidos tradicionalmente como Sobas, não têm poder decisório no Zaire. Na verdade, no que se refere a esses poderes é uma visão anterior dos europeus e dos autores do artigo, confrontaram com várias fontes europeias.

"O cristianismo é intolerante, principalmente, com as práticas religiosas africanas e nativas. Isto é de conhecimento de estudiosos como, por exemplo, de Mudimbe, 2013, que enfatiza que os europeus que chegavam ao solo africano não respeitavam a cultura local."

O que resta das práticas nativas será que ainda há algo? Além da “apropriação do patrimônio africano” o 
que resta de nós? Um dado que restou é que os bakongos apropriaram-se do cristianismo inclusive o estudioso que fala Mudimbe na sua obra “A invenção da África”.
A instabilidade e as revoltas que assolaram o Congo até 1965 culminaram com a tomada do poder por parte do tenente-general Mobutu Sese Seko, à época comandante e chefe do Exército congolês. Mobutu autodeclarou-se presidente por cinco anos e em 1970 consolidou o seu poder ao ser eleito presidente sem oposição. Em 1971 foi adoptado o novo nome do Estado, com a proclamação oficial da República do Zaire. Este nome e os novos símbolos nacionais mantiveram-se até 1996, quando em finais da Primeira Guerra do Congo Mobutu foi derrubado e fugiu do país. Laurent-Désiré Kabila assumiu a presidência e recuperou a denominação anterior do país,República Democrática do Congo, que se manteve desde então.
Hoje Zaire é uma província que se localiza na parte noroeste de Angola, faz fronteira com Oceano Atlântico, Bengo e Uíge. Infelizmente, a província do Zaire carece de muita coisa, seu povo sobrevive da pesca e agricultura, apesar de, no seu subsolo como dizem, ter muito petróleo e outros recursos naturais… Nossa terra é a terra dos nossos ancestrais os Ntotilas – todos os Reis/ Rainhas.
Um afro abraço.

Claudia Vitalino

Fonte:BATSIKAMA, Mampuya Cipriano Patrício. As origens do Reino do Kongo. Mayamba editora, Luanda, 2010./MUDIMBE, Y.V . A invenção de África. Gnose, filosofia e a Ordem do Conhecimento.Tradução Ana Madeiros. Coedição Edições, Lda e Mulemba, Angola e Portugal, 2013./SANTOS, Sousa Egídio de António. Esboço da História de Angola como poderia silenciar-me? Editora Kilombelombe, Luanda, 2012./ (Ver Santos, 2012, p. 66. E seguintes. Esboço da história de Angola)./ MUDIMBE, Y. V . A invenção de África. Gnose, filosofia e a Ordem do Conhecimento. Tradução Ana Madeiros. Coedição Edições, Lda e Mulemba, Angola e Portugal, 2013.