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Como é ressaltado na Apresentação abaixo, este dossiê é uma tentativa dos marxistas de enfrentar, com rigor e seriedade analítica, o de...

segunda-feira, 29 de maio de 2017

SAIBA TUDO SOBRE O EDITAL DO 2º SALÃO DORIAN GRAY DE ARTE POTIGUAR


Temática do Salão Dorian Gray este ano será o Cangaço.

O edital do 2º Salão Dorian Gray de Arte Potiguar será lançado oficialmente neste sábado, mas o Papo Cultura adianta todos os detalhes agora.
Serão selecionadas obras de arte para exposição e venda, nas categorias: desenho, pintura, escultura, gravura, fotografia, arte digital, imagem em movimento e performance, via foto, vídeo ou esboço.
As obras selecionadas serão expostas e vendidas em Mossoró, Natal e em outros municípios potiguares a serem definidos em espaços adequados, com o objetivo de estimular a multiplicidade e a diversidade de linguagens e tendências nas artes visuais.
Agora, detalhe importante: o Salão Dorian Gray tem como temática das obras apresentadas o CANGAÇO, de forma objetiva, subjetiva ou simbólica, em celebração aos 90 anos de resistência da cidade de Mossoró ao ataque dos cangaceiros comandados por Lampião.
Estão habilitadas a participar do edital, pessoas físicas diretamente responsáveis pela criação e produção de suas obras e/ou seus representantes legais desde que nascido, ou que tenham vivido no Rio Grande do Norte.

INSCRIÇÕES E SELEÇÃO

O período de inscrições será de 1º a 30 de abril. A seleção acontecerá entre 1º e 7 de maio. O resultado será divulgado apenas dia 10 de maio.
As inscrições são gratuitas e devem ser feitas em formulário padrão disponibilizado na fanpage do Amigos da Pinacoteca e enviadas ao email amigosdapinacoteca@gmail.com
E quem quiser adiantar a documentação, o formulário vai exigir cópia do RG e do CPF do proponente ou do representante legal; conta bancaria do participante indicando agência e conta; fotografia (com qualidade mínima de 300 DPI); e currículo resumido do artista.
E ainda esboço ou projeto (rascunho) no tamanho postal das duas obras inscritas, cada uma delas identificadas no verso com o nome do autor, título do trabalho/obra, material utilizado, seu valor para comercialização, dimensões e ano de produção.
As obras selecionadas no edital deverão ser entregues entre 5 e 7 de junho. A abertura da exposição acontece dia 13 de junho e permanecem até 2 de outubro. As datas em outros municípios ainda serão definidas.

COMERCIALIZAÇÃO

A comercialização das obras expostas será de responsabilidade exclusiva do artista, que deverá indicar o valor da obra e sua conta corrente para deposito dos pagamentos pelos compradores.
As vendas realizadas durante o período de exposição serão feitas mediante deposito bancário na conta do artista, inclusive a obra será entregue ao comprador mediante comprovação do deposito bancário, nas contas indicadas.
Do valor a ser pago ao artista, a Sociedade Amigos da Pinacoteca terá direito a 20% para cobrir as despesas referentes ao Salão que deverá ser paga no ato da reserva.

PREMIAÇÃO

A Comissão de Premiação selecionará dez artistas para receberem um Prêmio de Aquisição no valor de R$ 700. Cada um dos artistas premiado terá a indicação do trabalho que será adquirido com o valor do prêmio e que integrará o acervo da Sociedade Amigos da Pinacoteca.
A premiação será divulgada na data da abertura do Salão em solenidade pública, sendo atribuído aos vencedores o pagamento a que fizeram jus e um diploma de participação com o registro da premiação. E todos artistas selecionados que não forem premiados receberão também diploma de participação.
Em caso de edição de catálogo, será entregue a cada um dos artistas participantes dois volumes para acervo pessoal.
Quem quiser tirar mais dúvidas, o edital completo está AQUI.
Fonte: http://papocultura.com.br

Entrevista - Mafoane Odara "As empresas não devem se apropriar do discurso social

Mafoane Odara
Para Mafoane, não faz sentido promover discursos sem que haja mudanças na prática das empresas

por Ingrid Matuoka,

Coordenadora de projetos do Instituto Avon fala sobre a relação das corporações com o combate ao racismo, o machismo e outros discursos ideológicos.

Mestra em psicologia social pela USP e coordenadora de projetos do Instituto Avon, Mafoane Odara transita entre o mundo corporativo e o do ativismo. Além de trabalhar no instituto ligado à empresa de produtos de beleza, ela é integrante da Rede pela Diversidade e da diretoria do Fundo Brasil de Direitos Humanos. 

Em entrevista à CartaCapital, Odara fala sobre os paradoxos da mudança de discurso adotada por algumas empresas com relação às mulheres e aos grupos minorizados. Confira: 

CartaCapital: Nos últimos anos, as empresas tem mudado seu discurso, procurando inclusão de grupos minorizados e deixar o machismo menos evidente. Por que isso tem acontecido?

Mafoane Odara: Hoje em dia não faz mais sentido ter um apoio a projetos que promovem processos de transição sem que isso se reflita em uma mudança de cultura interna. É uma pressão dos movimentos [sociais e identitários] para que a gente possa fazer coisas mais coerentes, transformadoras e um cuidado das empresas de olhar para dentro e falar "como podemos, com todo esse processo de transformação, também fazer um engajamento interno e uma mudança de cultura?". É uma coisa de mão dupla.

A Avon passou por isso. Quando decidimos fazer essa campanha "Beleza que faz sentido", como podemos rever nossos padrões de beleza e pensar qual o nosso real papel, como empresa. nesse processo de transformação da sociedade e da busca por direitos para mulheres? Então, se falamos de empoderamento, o nosso papel não é empoderar, mas garantir que as mulheres tenham as ferramentas certas para que esse empoderamento aconteça. É olhar para as barreiras e conectar isso a nosso negócio e à causa que a gente trabalha.
CC: Esse discurso se sustenta sem uma inclusão e um diálogo dentro das empresas?

MO: Absolutamente não. A gente precisa ter uma prática de inclusão. Qual o melhor jeito de garantir que as mulheres tenham os mesmos salários nos cargos e lugares de poder? É garantir que elas estejam lá dentro. Qual é a forma de garantir que os negros, as pessoas com deficiência, do movimento LGBT, estejam de fato? Só se essas pessoas estiverem dentro. Não existe uma mudança de olhar se não promover uma inclusão das pessoas e da diversidade.

CC: Como isso se deu na Avon?

MO: Temos uma política de promoção e revisão salarial a cada três meses. Entendemos que se não olharmos se homens e mulheres estão ganhando o mesmo valor para os mesmos cargos, isso se inverte. Então precisa estar alerta. 

CC: O surgimento das redes sociais e a possibilidade de pressão dos consumidores colaborou para essa mudança?

MO:Com certeza. Hoje vivemos um momento em que as situações acontecem e a reação vem imediatamente, na mesma medida. As redes sociais trouxeram essa possibilidade de rapidez. Elas são redes de proteção e de apoio e isso tem ajudado e fortalecido a materialização das ações. É um trabalho duplo para fazer avançar as causas.

CC: As tentativas das empresas tem sido bem sucedidas?

MO: Depende do caminho que escolheram e do quão genuíno e verdadeiro é esse desejo. Para avaliar é preciso ver que tipo de ações estão sendo tomadas e se elas são estruturantes ou superficiais. É um grande diferencial reconhecer que essas discriminações acontecem e esse processos de equidade começam de dentro para fora. Quando você consegue fazer uma ação estruturante que ajude nesse caminho, que não é fácil, isso é genuíno. Quando as empresas tentam fazer uso de discurso ou uma conquista social para se beneficiar isso e não ser genuíno, essa reação vem também. 

CC: E quando as empresas erram o tom? O que deve ser feito?

MO: Depende de cada empresa e cada estrutura, mas também da vontade de realmente lidar com essas questões. O que podem fazer para se preparar para os possíveis tropeços é fazer alianças com organizações sociais ligadas ao tema, para que elas possam ajudar a construir esse caminho. 

Um cuidado que as empresas precisam ter é de não se apropriar de discursos quando eles não são seus, em geral é aí que as empresas erram o tom, quando querem pegar um discurso bonito, forte, mas que não é genuíno. 
As empresas têm um papel que é diferente do que as organizações e o governo têm. A coisa mais importante nesse processo é que você não tem que dar resposta sozinho, você não tem competência pra isso e é muito melhor pra todo mundo reconhecer qual o seu papel e a gente consegue fazer e agir a partir desse lugar, sem se apropriar de um lugar que não é seu.

CC: Algumas pessoas reclamam de uma cooptação do feminismo, por exemplo, pelas empresas. O que você pensa sobre isso?

MO: Isso acontece e precisa ter esse cuidado. A gente não pode se apropriar de um discurso social uma vez que não somos um movimento social. Somos uma empresa. E nosso papel é usar o que temos para potencializar o trabalho  feito por essas organizações.

A gente tem que usar nosso potencial para fazer com que as organizações que já desenvolvem muito bem esse trabalho possam chegar a lugares que elas não chegariam sozinhas. É a parceria que faz sentido. Os problemas são gigantescos e complexos, e às vezes o que acontece é você se apropriar desse lugar achando que pode dar conta sozinho porque seu lugar tem certos privilégios. A discussão tem que ser cuidadosa e respeitosa;
Fonte: Carta Capital

Critério de Moro com Cláudia Cruz impõe absolvição de Lula

aroeiracruz

Quais os fundamentos usados por Sérgio Moro para absolver Cláudia Cruz, mulher de Eduardo Cunha?

O primeiro é de que não foi possível, mesmo tendo saído das contas de Eduardo Cunha na Suíça, determinar que o dinheiro usado por Cláudia Cruz, na sua conta Köpek (cão, em turco)  em suas gastanças em boates e outros estabelecimentos de luxo, vinha das operações corruptas do ex-presidente da Câmara:

Não obstante, até o momento, foi de fato possível rastrear somente os ativos recebidos em um acerto de corrupção, envolvendo o contrato de Benin, sendo que o produto respectivo, de USD 1,5 milhão não foi destinado, sequer em parte, à conta em nome da Köpek.

Portanto, Moro considera essencial que seja estabelecida a ligação material entre um gasto, embora vultoso, e um ato específico de corrupção.
A seguir, Moro diz:

Poderia, porém, a imputação do crime de lavagem sustentar-se tendo por antecedentes unicamente os crimes financeiros, ou seja, os ativos seriam provenientes de saldos em contas secretas no exterior e que não foram declaradas. Nesse ponto, porém, entendo que carece a imputação de suficiente prova do dolo. A acusada Cláudia Cordeiro Cruz foi interrogada em Juízo. Alegou em síntese que era esposa de Eduardo Cosentino da Cunha, que confiava em seu marido e que desconhecia o envolvimento dele em crimes de corrupção.

Assim, o juiz considera que é preciso, para haver prova de dolo, conhecer o envolvimento de alguém em crime de corrupção. Se vale para uma companheira com quem se convive diariamente, tem de valer também para alguém com quem se tem uma relação mais distante, de amizade. Se um amigo pagar algo para mim – como, por exemplo, a guarda de algumas caixas – é preciso, para que haja prova de dolo, que eu saiba que eu conheça  o “envolvimento dele em crimes de corrupção”.

Ele conclui, literalmente:

Cumpre observar que, de fato, não há prova de que ela tenha participado dos acertos de corrupção de Eduardo Cosentino da Cunha.

Não consta que o Dr. Sérgio Moro tenha sido obrigado ou induzido por alguém a este entendimento. Ninguém vai pensar, por exemplo, que a absolvição de Cláudia possa ser parte daquilo que se tratou na reunião entre Michel Temer e Joesley Batista como deixar “calmo” Eduardo Cunha.

Assim, bastam três questões para que o Dr. Moro não possa dar veredito igual ao caso de Lua: a) mesmo admitindo que as obras no triplex do Guarujá fossem realizadas por vontade ou pedido do casal Marisa-Lula, há prova de que os recursos nela utilizados sejam os mesmos auferidos nos contratos entre a OAS e a Petrobras? b) Marisa e Lula tinham a obrigação ou meios de saber das armações de diretores da Petrobras em contratos com a OAS? e c) Lula ou Marisa participaram destes acertos?

A resposta óbvia é “não”, evidentemente.

Ou será que, em relação a Lula, o que Moro diz em relação a Cláudia Cruz “não vem ao caso”?

O racismo no Brasil debatendo Machado de Assis


A tentativa de branqueamento do Brasil:  A redenção de Cam, de Roberto Brocos, 1895, por sugestão da leitora Maria Utt. O quadro venceu a medalha de ouro da Exposição de Artes Plásticas de 1895 e está no Museu das Belas Artes, no Rio.

“São tanto mais de admirar e até de maravilhar essas qualidades de medida, de tato, de bom gosto, em suma de elegância, na vida e na arte de Machado de Assis, que elas são justamente as mais alheias ao nosso gênio nacional e, muito particularmente, aos mestiços como ele. […]. Mulato, foi de fato um grego da melhor época, pelo seu profundo senso de beleza, pela harmonia de sua vida, pela euritmia da sua obra.”

A ideia de embranquecimentos dos brasileiros é antiga, e muitos eram abolicionistas não por questões humanitárias, mas porque acreditavam ser necessário estancar o quanto antes a introdução de sangue negro entre os nacionais. Em um ensaio publicado em Lisboa, em 1821, o médico e filósofo Francisco Soares Filho aponta a heterogeneidade do Brasil como o grande empecilho para o país se tornar um Estado Moderno: “Hum povo composto de diversos povos não he rigorosamente uma Nação; he um mixto de incoherente e fraco”. O livro de Andreas Hofbauer, Uma história do branqueamento ou o negro em questão, transcreve vários trechos do artigo de Francisco Soares Filho, “Ensaio sobre os melhoramentos de Portugal e do Brasil”, entre os quais destaco o que fala da necessidade e das vantagens de se promover a miscigenação controlada:

“Os africanos, sendo muito numerosos no Brasil, os seus mistiços o são igualmente; nestes se deve fundar 
Hofbauer também cita o artigo de António d’Oliva de Souza Sequeira, “Addição ao projeto para o estabelecimento politico do reino-unido de Portugal, Brasil e Algarves”, de 1821, no qual, além de reforçar as ideias do benefício da mestiçagem de seu conterrâneo, aponta a necessidade de promover a imigração:

“Como o Brasil deve ser povoado da raça branca, não se concederão benefícios de qualidade alguma aos 

(Um breve parênteses: não sei se sou apenas eu que consigo ver semelhanças entre o discurso acima,

de 1821, com o de “esqueçamos isso de brancos, negros, amarelos etc… somos todos Brasileiros!”, muito comumente encontrados em artigos de Ali Kamel, Demétrio Magnoli e Yvonne Maggie, por exemplo, apoiados pelo requentamento da teoria da mestiçagem, feito por Gilberto Freyre.)
A ideia de que, em 100 anos, os brasileiros seriam todos brancos, foi atualizada em 1911 por João Batista Lacerda, diretor do Museu Nacional. Nessa época o cientificismo já tinha biologizado o conceito de raça, e o racismo brasileiro se dividia entre duas correntes de pensamento. A segregacionista, que dizia que a 

Apostando sempre no seu povo, essa última tornou-se a posição oficial do governo brasileiro, que tentava vender, no exterior, a ideia de um país com grande futuro à espera dos europeus; ou à espera de europeus, para ser mais exata. Participávamos de feiras e congressos internacionais, disputando imigrantes com 

“(…) no Brasil já se viram filhos de métis (mestiços) apresentarem, na terceira geração, todos os caracteres físicos da raça branca […]. Alguns retêm uns poucos traços da sua ascendência negra por influência dos atavismos(…) mas a influência da seleção sexual (…) tende a neutralizar a do atavismo, e remover dos descendentes dos métis todos os traços da raça negra(…) Em virtude desse processo de redução étnica, é lógico esperar que no curso de mais um século os métis tenham desaparecido do Brasil. Isso coincidirá com a extinção paralela da raça negra em nosso meio“.

A elite intelectual brasileira, formada por literatos, políticos, cientistas e empresários, indignada com as declarações do diretor do Museu Nacional, foi debater nos jornais e revistas. Alguns clamavam que 100 anos era um absurdo de tempo, que o apagamento do negro se daria em muito menos. Outros debochavam 


do otimismo de Lacerda, como o escritor Silvio Romero, que acreditava que o processo, que todos concordavam ser irreversível, levaria, pelo menos, uns seis ou oito séculos. Mas todos concordavam que era 

De fato, o governo brasileiro financiou a vinda de imigrantes europeus, não fez absolutamente nada que ajudasse escravos e libertos e proibiu a entrada de africanos. Um decreto de 28 de junho de 1890 diz que 
Art. 1o – Todo estrangeiro poderá, entrar no Brasil desde que satisfaça as condições estabelecidas por essa lei.
Art. 2o – Atender-se-á, na admissão de imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na 

Imigração europeia- O decreto, me parece que foi revogado apenas 1980. Mas as “características mais convenientes” da nossa ascendência europeia ainda são as desejáveis e estimuladas pelo governo, como nos 
O fato mais visível é o branqueamento de Machado de Assis. Sobre esse assunto, que é longo e complexo, sugiro a entrevista com o professor Eduardo de Assis Duarte e, para quem quiser se aprofundar 

País rico é país sem pobreza”, apaga completamente as presenças negra e mestiça da capital federal do início do século. Tais atitudes colocam o governo como propagador e vítima das políticas oficiais de branqueamento da população e de ensino deficiente, voltado para o descaso com e o esquecimento do passado escravocrata brasileiro.

O racismo institucional esta envolvidos na criação, produção e aprovação de tal comercial estudado um pouco mais a vida dos africanos no Brasil, não teriam cometido erros tão banais. E tão graves, porque em nome de um governo e de uma instituição que diz ter uma história construída por todos os brasileiros, mas que parece, nesse caso, retratar apenas aqueles brasileiros que sempre foram mais brasileiros do que os outros. A nossa desigualdade entre iguais.

Tivessem esses profissionais dado uma olhada nos levantamentos demográficos da época (embora “raça” não tenha entrado nas estatísticas entre 1890 e 1940 – porque “éramos todos brasileiros”…) ou nas 


crônicas publicadas em jornais e revistas da época, ou o interesse de conhecerem um pouco melhor o assunto em questão, saberiam que a população negra e mestiça do Rio de Janeiro deveria ser, no mínimo, 30 e 40% do total, mas aparentava ser muito mais.

A então capital federal, onde já era numerosa a presença de escravos e libertos, recebeu grandes 

Machado de Assis- Do morro aos círculos da elite- Pobre, negro e epilético. Nascido nessas condições, Machado de Assis encontrava-se em condições completamente adversas para que se tornasse, ainda em 

Crescendo no Morro do Livramento, o pai de Machado era pintor de paredes e sua mãe lavadeira. Seus avós paternos foram escravos alforriados. Conseguiu iniciar sua carreira literária graças ao “apadrinhamento” de Manuel Antônio de Almeida – autor do célebre “Memórias de um Sargento de Milícias” – quando trabalhava como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. Fez carreira como funcionário público, em uma época em que a ascensão se dava por indicação direta da família real: em 1867 foi indicado por D. Pedro II como diretor-assistente do Diário Oficial, e pouco depois como assistente de diretor. Em 1888 recebe do Imperador uma condecoração oficial da Ordem da Rosa. Tendo sido indicado a concorrer ao cargo de deputado pelo Partido Liberal, Machado prefere retirar sua candidatura para não comprometer sua carreira.

Esses pequenos apontamentos biográficos sobre o autor tem o propósito de demonstrar qual era a posição social à qual pertenceu em sua vida: um burocrata do Estado, tendo ascendido socialmente de forma surpreendente graças ao seu talento e, não menos significativamente, graças ao apadrinhamento de figuras importantes da classe dominante, constando entre elas ninguém menos do que D. Pedro II, Imperador do Brasil. Esse fato é determinante para a posição ambígua que terá a obra de Machado em relação ao racismo e a questão negra.

As obras da juventude- Os primeiros gêneros nos quais Machado se empenha são as crônicas, o jornalismo e as poesias, que foram seu ganha-pão em publicações como o Diário do Rio de Janeiro, o Jornal das Famílias ou a Semana Ilustrada. Seus primeiros romances, reconhecidos hegemonicamente pela crítica contemporânea como “obras menores”, são exemplares característicos dos romances de folhetim da

A maturidade: a crítica social de um cínico-Quando Machado já se encontra em uma posição social de conforto, tendo seu nome assegurado no cânone literário e sua condição econômica garantida, o autor irá realizar o melhor de sua obra, expressando aquilo que merecidamente o consagraria como um dos grandes autores da literatura mundial. É então que aparece a sua crítica social. Esta, no entanto, não é a de um autor 


que se indigna diante de uma sociedade de miséria, empenhando seus esforços em transformá-la, como vemos, por exemplo, nos poemas abolicionistas de Castro Alves. É a de alguém que tem a consciência

plena de que nada irá mudar, e cabe apenas um apontamento pessimista, cínico e resignado da tamanha hipocrisia de uma sociedade da qual o próprio autor se tornou um “medalhão”. O cinismo de Machado ao criticar a sociedade é o de alguém que sabe que está cuspindo no prato em que comeu.

Finalizando:Além disso, chama atenção como os negros aparecem sempre como objetos em sua relação com a escravidão e o racismo, em uma posição passiva e submissa, completamente à mercê aos caprichos dos senhores sem nunca oferecer resistência. A única exceção é o caso de Prudêncio, que deixa de ser um escravo passivo para tomar de forma ativa o lado dos senhores que oprimem. Mesmo assim, diante de seu antigo senhor, Prudêncio se curva e se submete, agora já não mas pela imposição do castigo e da lei, mas meramente pela “força do hábito”. Retratar os negros de tal maneira é uma posição no mínimo curiosa para um negro que teve que se colocar como sujeito para fazer sua carreira literária, a troco, é claro, de engolir o sapo de “comportar-se bem” diante da classe dominante;Se liga: Os negros escravizados no Brasil, bem diferente de como aparecem na literatura de Machado, não eram meramente “coitados submissos”. Criaram milhares de Quilombos, protagonizaram enormes lutas de resistência, mataram senhores, fugiram aos milhares. Resistiram, sempre. Muito diferente da postura cínica que apresenta Machado quando, por meio de seu irônico narrador em “Pai contra mãe”, afirma: “(...) os escravos fugiam com freqüência. Eram muitos, e nem todos gostavam da escravidão.vida, um dos mais célebres brasileiros de todos os tempos, tendo sido fundador e o primeiro presidente da composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência européia, assim como a defesa do trabalhador nacional. um pouco mais, a leitura de seu livro “Machado de Assis Afrodescendente: escritos de caramujo”. Veríssimo, atendendo ao apelo de Nabuco, nunca incluiu o artigo em seus livros; e para acabar com qualquer dúvida quanto à mulatice, a certidão de óbito de Joaquim Maria Machado de Assis diz que o grande escritor, da “cor branca”, faleceu de “arteriosclerose”contingentes de negros e mulatos após a assinatura da Lei Áurea, chegados das áreas rurais e de diversas partes do Brasil. Eles eram, então, a maioria a circular pelas ruas, em busca de emprego, que não havia, ou época: incluindo histórias de amor e tragédias, são obras bastante distintas de seus romances da maturidade.então renomada Academia Brasileira de Letras e sendo reconhecido como o maior escritor do país. O trajeto para que isso 

ocorresse, obviamente, não se deu sem muitas dificuldades.fazendo bicos, tentando se adaptar à nova realidade. Uma “sociedade movediça e dolorosa”, como nos contam as crônicas de João do Rio, entre tantas outras tão fáceis quantos de achar, caso houvesse interesse. estava proibida a entrada de africanos no Brasil, e é reforçado por outros em 1920 e 1930, quando os banidos não necessariamente precisam ser africanos, mas apenas parecer. Em 1945, um decreto lei não mais proíbe, mas diz que: mostra, exatamente 100 anos depois do pronunciamento de João Batista Lacerda, diretor do Museu Nacional,esse comercial da Caixa Econômica Federal. Argentina, Chile e Estados Unidos, e o discurso de Lacerda, representante brasileiro no I Congresso Universal de Raças, em Londres, tenta aplacar o medo dos europeus de compartilharem o Brasil com uma raça inferior: apenas uma questão de tempo, desde que o Brasil continuasse a promover a entrada de brancos europeus, a não fazer nada para integrar os negros que já estavam no país ou para baixar a taxa de mortalidade entre eles, e a dificultar a entrada de novos africanos mestiçagem já nos tinha posto a perder e que nunca seríamos uma nação desenvolvida; e a assimilacionista, que apostava na salvação através do processo de branqueamento, com imigrantes europeus.outra nova origem para a casta branca. (…) Os mistiços conservarão só metade, ou menos, do cunho Africano; sua côr he menos preta, os cabellos menos crespos e lanudos, os beiços e nariz menos grossos e chatos, etc. Se elles se unem depois à casta branca, os segundos mistiços tem já menos da côr baça, etc. Se inda a terceira geração se faz com branca, o cunho Africano perde-se totalmente, e a côr he a mesma que a dos brancos; às vezes inda mais clara; só nos cabellos he que se divisa huma leve disposição para se encresparem. (…) E deste modo teremos outra grande origem de augmento da população dos brancos, e quase extinção dos pretos e mistiços desta parte do Mundo; pelo menos serão tão poucos que não entrarão em conta alguma nas considerações do Legislador.”

pretos, que queirão vir habitar no paiz. (…) E como havendo mistura da raça preta com a branca, (…) terá o Brasil, em menos de 100 anos todos os seus habitantes da raça branca. (…) Havendo casamentos de brancos com indígenas, acabará a côr cobre; e se quizerem apressar a extinção das duas raças, estabeleção-se premios aos brancos, que se casarem com pretas, ou indígenas na primeira e segunda 
geração: advertindo, que se devem riscar os nomes de “mulato, crioulo, cabôco” e “indígena”; estes nomes fazem resentir odios, e ainda tem seus ressaibos de escravidão (…) sejão todos ‘Portuguezes!”.linha de sucessão representada pelas mulheres mostra a redenção pelo “branqueamento”.
Um afro abraço.
Claudia Vitalino.
fonte:chc.cienciahoje.uol.com.br/por-que-rui-barbosa-mandou-queimar-os-documentos/https://salespoa.wordpress.com/UNEGRORJ