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sábado, 15 de abril de 2017

Trabalho escravo avança sobre a África e o Brasil com a imposição da agenda neoliberal imperialista

Africanos tentam fugir para a Europa e são escravizados (Foto: AFP)
A BBC (emissora estatal britânica) publica em seu site nesta quarta-feira (12), uma reportagem na qual denuncia um “mercado de escravos” de africanos que tentam chegar à Europa, passando pela Líbia, no norte do continente.
De acordo com a reportagem, a Organização Internacional para as Migrações (OIM), da Organização das Nações Unidas (ONU), os refugiados são detidos por contrabandistas ou milícias e são “levadas para praças ou estacionamentos para serem vendidas”.
Mônica Custódio, secretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), afirma que está acontecendo uma reedição da Conferência de Berlim (realizada entre 15 de novembro de 1884 e 26 de fevereiro de 1885 para organizar a ocupação da África pelas potências coloniais).
“Em pleno século 21, o avanço do imperialismo sobre a África para se apropriar das riquezas do solo”, diz. “Esse avanço se dá na América Latina e em outras partes, deixando o mundo à beira da 3ª Guerra Mundial”.
monica custodio fernanda ruy
Para Mônica Custódio a escravidão avança com agenda neoliberal (Foto: Fernanda Ruy)
“Centenas de jovens africanos subsaarianos foram encontrados nos chamados mercados de escravos, segundo o relatório da OIM”, afirma a matéria da BBC. “Mulheres também foram compradas por clientes da Líbia e levadas para casas onde foram forçadas a ser escravas sexuais”.
A onda neoliberal avança sobre os povos que têm menos proteção, diz. Para ela, essa invasão imperialista “tira o pertencimento, a vida e aos que sobrevivem tira a dignidade. Retorna à condição desumana de séculos atrás, onde seres humanos foram escravizados”.
Ela ressalta a Década Internacional de Afrodescendentes (saiba mais aqui), instaurada pela ONU, em 2015, para valorizar “os povos de origem africana e as suas contribuições para a construção de várias nações”.
“Em nosso país, as reformas do governo golpista de Temer”, diz Custódio, “aumenta a percepção da falta de valor que temos para o Estado”. Com isso, aumenta o número de moradores de rua, de pedintes e de famílias desempregadas.
Ouça Zumbi, de Jorge Ben Jor 
“Deixa as mesas da classe trabalhadora vazias e as panelas esvaziadas. Coloca na mesma canoa furada, brancos pobres, negros, mulheres, jovens, população LGBT e indígenas. Tira a juventude da escola e a joga no desemprego e na possibilidade de aliciamento pelo tráfico”.
Tudo isso, para ela, para criar um amplo mercado de trabalho com mão-de-obra sem remuneração. “Querem reduzir a maioridade penal para encher os presídios, privatizá-los e explorar os presos com o trabalho escravo”, denuncia.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy

O jornalismo, aquela velha prostituta

by Fábio Pannunzio 
O modelo de jornalismo que conhecemos hoje está em declínio. O incrível é que muitos jornalistas vibram com isso. Ele se encontra na posição da mulher adúltera da Bíblia.    Falta-lhe apenas o salvador para lembrar à turba que a primeira pedrada deve ser disferida por alguém sem pecados.
    As pedras voam de todos os lados. Nas ruas, repórteres são acossados pela multidão imaculada. Impedidos de realizar a cobertura das grandes mobilizações populares, são logo culpados pela omissão da imprensa, sempre confundida com um partido político.
   Quando, em nome do dever de informar, resolvem correr o risco do linchamento iminente, ali sempre haverá um policial com a arma apontada para um fotógrafo cujo olho será dilacerado não por um pedregulho, mas por uma bala de borracha.
    E se o tiro falhar, há de haver muito bem posicionado um anarquista com um rojão adredemente apontado para a nuca de um cinegrafista.
   Quando, em momento menos conturbados, se safam da refrega das ruas, jornalistas são logo apontados como causa  das desgraças todas que andam a destruir o País. Confunde-se a mensagem com os mensageiros.
   É deles a culpa pelas más notícias produzidas no campo da economia, bem como deles também é a dor infligida aos políticos corruptos e seus agremiações cleptocratas pela divulgação dos escândalos que não cansam de ocupar o espaço das manchetes.
   Para o jornalismo, o tempo não passa. Os erros do passado, escancarados ou não, reconhecidos ou não, jamais prescrevem. O jornal tal era bancado pelo Barão de Ladário e fez um editorial contra a Proclamação da Repúbica. Quebrem-lhe as rotativas. A TV XPTO foi contra a volta de Dom joão Sexto a Portugal. Empalem seus repórteres!
   Para um parte da opinião pública, as empresas de comunicação deveriam falir como forma de punição por tudo o que houve de errado desde que alguém gritou fiat lux. Em seu lugar, oferece-se a possibilidade da comunicação direta, sem mediação, da fonte para a fonte e do público para o público.
   Emissoras de televisão seriam substituídas com vantagem por youtubers adolescentes e os blogues, que matariam os jornalões, ofereceriam notícias frescas e bem apuradas a pessoas cada vez mais seletivas e exigentes.
   Não importa que o jornalismo possa ser definido como um arcabouço de técnicas embalado por um conjunto de valores e normas éticas que o jornalista de  verdade defende com o sacrifício dos proventos — se nencessário, com o custo da própria vida, como fez Vladimir Herzog. Tudo isso está em desuso.
   Tudo bem. Os argumentos são razoáveis e a tecnologia já possibilita a construção desse novo modelo comunicacional. A imprensa pecou no passado e continua pecando no presente. É possível inferir que continuará pecando no futuro, o que justificaria a necessidade premente de sua eliminação.
   O desmonte, aliás, já começou. A profissão foi desregulamentada. Qualquer um pode se arvorar jornalista e sair por aí apregoando a sua visão de mundo. Afinal, se a imprensa sempre distorceu fatos, se ela sempre serviu genuflexa ao pensamento hegemônico, que mal pode haver ao estatuir-se como padrão o jornalismo individual fenomenológico ?
   É isso. Punam-se os jornalistas. Elimine-se a comunicação de massa. Extinguam-se os jornais e as revistas. Calem-se as rádios e emissoras de televisão. Decapitem-se os jornalistas. Condenem à fome e à misária seus descendentes. Salguem os terrenos onde se deitam as redações.
   Por fim, revogue-se do Art. 5ͦ da Constituição da República o Inciso XIV — aquele que diz que “é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional”.