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Centro Potiguar de Cultura reúne lideranças culturais para debater a Consciência Negra.

Mesa oficial do 8º Encontro Estadual da Consciência Negra: da esquerda para a direita: Afrânio Patrício: Coordenador da...

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

CAPOEIRA É NOSSA


Dança, luta, símbolo de resistência e uma das manifestações culturais mais conhecidas no Brasil, a roda de capoeira recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Espera-se que o registro do saber do mestre de capoeira como patrimônio cultural do Brasil possa favorecer a sua desvinculação obrigatória do Conselho Federal de Educação Física, ao qual a capoeira nunca deve ficar subordinada, a Capoeira sempre foi e é livre...

Chama-se S dobrado porque para aplica-lo necessita-se executar um movimento em forma de S ao contrário. Inicia-se com uma rasteira, com a perna esquerda, por exemplo: a perna esquerda sai de trás, perfaz três quartos de um giro, indo situar-se esticada, sem tocar no chão, no lado direito, ou seja, o lado contrário ao que se iniciou o movimento.

Malta Brasil Capoeira TUTORIAL - S DOBRADO

Lei e Penalidade

Em 1951, foi criada a Lei 1390/51, mais conhecida como Lei Afonso Arinos.
Proposta por Afonso Arinos de Melo Franco, essa lei proibia a discriminação racial no país, ou seja, a separação de raças diferentes.
A lei Afonso Arinos se mostrou ineficiente por faltar rigorosidade em suas punições, mesmo em casos explícitos de discriminação racial em locais de emprego, escolas e serviços públicos.
Em 1989, foi criada a Lei 7716/89, mais conhecida como “Lei Caó”. Proposta pelo jornalista, ex-vereador e advogado Carlos Alberto Caó Oliveira dos Santos, essa lei determinava a igualdade racial e o crime de intolerância religiosa.
Um dos maiores triunfos com o aprimoramento da lei contra o racismo foi sua pena. Crime de racismo é inafiançável, mas especifica a diferença entre atitudes que podem ser consideradas como racismo.

Crime de Racismo x Injúria Racial

O tema racismo ainda é complicado para muitas pessoas, principalmente quando se trata da lei. Mesmo com implantação de legislação contra o racismo, existem aqueles que não sabem diferenciar determinadas atitudes como prática de crime de racismo ou não. Uma das maiores confusões que as pessoas podem cometer é confundir racismo e injúria racial.
Injúria racial ocorre quando são ditas ou expressadas ofensas a determinados tipos de pessoas, tendo como exemplo chamar um negro de “macaco”. Esse exemplo já ocorreu em vários casos no futebol, em que jogadores foram ofendidos por essa palavra e alguns entraram com processo. Nesses casos, os acusados seriam julgados por causa da injúria racial, onde há a lesão da honra subjetiva da vítima. A acusação de injúria racial permite fiança e tem pena de no máximo oito anos, embora geralmente não passe dos três anos.
Já o racismo é mais grave, considerado como um crime inafiançável e imprescritível. Para o crime ser considerado racismo, tem que menosprezar a raça de alguém, seja por impedimento de acesso a determinado local, negação de emprego baseado na raça da pessoa. Como exemplo, pode-se considerar o impedimento de matrícula de uma criança em uma escola por ela ser negra como um caso de racismo.
Resumidamente, o racismo impede o prática de exercício de um direito que a pessoa tenha. A injúria racial se determina pela ofensa às pessoas por raça.

Como Denunciar o Racismo

A vítima deve registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia e, em seguida, procurar um advogado para cuidar do processo, entretanto não é obrigatório um advogado para poder dar entrada no processo de discriminação racial. Se a discriminação ocorrer no ambiente de trabalho, a vítima pode procurar o Ministério Público do Trabalho. Se a discriminação não se referir especificamente a uma pessoa, pode-se procurar o Ministério Público do Estado.
Fonte: racismo-no-brasil.info/

Discriminação Racial

A história nos mostrou como os negros sofreram no passado com a escravidão e o preconceito. Separados dos brancos, os negros não eram respeitados e a discriminação não era algo raro. Mas com o tempo, o ser humano percebeu como tal atitude é completamente desnecessária e o racismo virou algo proibido por lei, tendo pena inafiançável.
Para entender melhor, qualquer exclusão, distinção, restrição ou preferência baseada na raça, cor e nacionalidade que tenha intenção de resultar ou anular o reconhecimento de exercícios é considerado como discriminação racial. Todas as pessoas, não importa a raça, tem direitos econômicos, sociais e culturais iguais.
Infelizmente, ainda existem pessoas que não tem tal compreensão e agem para discriminar outros baseando-se somente na raça. Algumas atitudes racistas que possam ocorrer em determinados locais são:

Ambiente de Trabalho

  • Qualquer procedimento que seja de recusa, falta de oportunidade ou anulação de emprego por parte da empresa ou agência de emprego baseada na raça da pessoa.
  • Preferência nas ofertas de emprego ou recrutamento em anúncios e publicidade, baseada na tonalidade de pele da pessoa.
  • Impedimento de permissão ou acesso em exercício de atividades econômicas.
  • Brincadeiras ou comentários, tais como xingamento ou fofoca, que contenham ofensas racistas.

Escolas

  • Impedimento de acesso ou matrícula em escolas públicas ou privadas.
  • Comentários ou ofensas que tenham conteúdo discriminatórios.
  • Falta de atenção ou preferência em alunos baseado na tonalidade da pele.

Outros

  • Impedimento de acesso em locais públicos por discriminação racial.
  • Recusa a prestar serviços de venda de imóveis pela cor das pessoas.
  • Qualquer recusa de prestação de serviços às pessoas, baseada na raça.
  • Qualquer atitude que fere, denigre ou rebaixe a pessoa baseando somente na raça.
Lembrando que, não é só porque a pessoa está nesses locais, que ocorrerá atitudes racistas. O racismo pode acontecer em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Os lugares citados são apenas casos que, infelizmente, podem ocorrer com mais frequência pela quantidade de pessoas que circulam por eles.
Fonte: http://racismo-no-brasil.info/

Racismo no Brasil


O racismo é qualquer pensamento ou atitude que separam as raças humanas por considerarem algumas superiores a outras.
Quando se fala de racismo, o primeiro pensamento que aparece na mente das pessoas é contra os negros, mas o racismo é um preconceito baseado na diferença de raças das pessoas.
Pode ser contra negros, asiáticos, índios, mulatos, e até com brancos, por parte de outras raças. Por terem uma história mais sofrida com o preconceito, os negros são principal referência quando é discutido o tema racismo.
O racismo em uma pessoa tem diversas origens, depende da história de cada um. Em alguns casos, pode ser por crescerem ouvindo as diferenças e superioridade de determinadas raças, em outros, alguma atitude que moldou seu pensamento. Não importa como o racismo cresceu na mente das pessoas, mas vale ressaltar que se ele for provado, é um crime inafiançável, com pena de até 3 anos de prisão.
Além disso, algumas pessoas valorizam tanto a superioridade de raças que acreditam na purificação delas, onde dominariam o meio em que vivem. Essa justificativa apareceu na escravidão, em que os negros trabalhavam em condições precárias e eram vendidos como objetos. No nazismo, o foco principal eram os judeus, mas também perseguiam negros, homossexuais, entre outras minorias, para serem executados nos campos de concentração.
Com isso, percebe-se como o racismo fez parte da história, e como alguns grupos sofreram muito com isso.
Embora no Brasil haja uma forte mistura de raças, a incidência de racismo pode não ser tão evidente para alguns, mas ele não deixa de existir. Em alguns casos, ele ocorre de forma sutil, em que nem é percebido pelas pessoas. Pode acontecer em forma de piadas, xingamentos, ou simplesmente evitar o contato físico com a pessoa. A verdade é que nenhum lugar está protegido do racismo.

Diferenças entre Raça e Etnia

Embora seja dito muitas vezes como sinônimos, existem certas diferenças entre raça e etnia. Raça se expressa nas características visíveis da pessoa, ela engloba as características físicas, tais como tonalidade de pele, formação do crânio, rosto e tipo de cabelo.
A etnia também refere-se a isso, mas ela vai além das características físicas da pessoa, ela inclui a cultura, nacionalidade, afiliação tribal, religião, língua e tradições.
Dentre as várias raças humanas, as quatro principais são:
Caucasianos: De origem europeia, norte-americana, árabes e até indiana. Com exceção dos mediterrânicos, tem nariz estrito, lábios delgados e cabelos ondulados ou lisos. Tem como principais características pele e olhos claros.
Mongoloides: De origem asiática, apresentam a tonalidade de pele amarelada, cabelos lisos, rosto achatado ou largo e nariz de forma variada. Variaram dessa raça os esquimós e índios americanos.
Australóides: Tem como características os olhos escuros, cabelo encaracolado e nariz largo. A tonalidade da pele é escura, quase negra.
Negros: De origem africana, apresentam as características de pele escura, olhos escuros, lábios grossos, nariz achatado e cabelos crespos.
Como no Brasil há uma mistura de raças muito forte, algumas se tornaram principais no país, além das quatro citadas acima. São elas:
Mestiços: Mistura de duas ou mais raças.
Mulato: Descendente de branco com negro. 
Caboclo: Descendente de branco com índio.
Cafuzo: Descendente de negro com índio.

Apartheid: Regime Político de Segregação Racial da África do Sul

Após a colonização, os portugueses trouxeram os negros para serem escravos no país. A partir daí, implica-se dizer que os principais grupos a habitar o país foram os portugueses, índios e negros. Esses grupos ajudaram a construir a mistura de raças que compõe o país atualmente. Além deles, vieram os italianos, japoneses, espanhóis, entre outros.
A partir dessa união de raças desenvolveu-se o que é o país hoje em dia, e como passaram a ser criados novos costumes e tradições, nascendo assim a etnia.
O apartheid foi um regime político de segregação racial na África do Sul. Esse regime foi adotado em 1948 e durou até 1994.
A palavra apartheid significa separação, ou identidade separada, e durante esse período os brancos dominavam os direitos sociais, econômicos e políticos da sociedade sul-africana, mesmo com a maioria da população sendo negra.

História

A história do apartheid começou no período de colonização da África do Sul, em que os bôeres se estabeleceram no país nos séculos XVII e XVIII.
Os bôeres foram descendentes de colonos dos Países Baixos, que erroneamente é dito apenas como Holanda. Descendentes também da Alemanha e França, os bôeres disputaram a colonização da África do Sul com os britânicos e criaram sua própria língua, o africâner.
Em 1652, a Companhia Holandesa das Índias Orientais, que tinha intenção de eliminar a concorrência europeia da rota comercial, criou a colônia do Cabo. Com essa criação, a intenção era fornecer uma escala aos navios da empresa para seguir rumo à Indonésia.
Os bôeres se aproveitavam do trabalho escravo dos nativos em suas plantações litorâneas, que era um meio de sistema agrícola, uma plantação, que explorava a mão-de-obra escrava.
A colônia de Cabo foi dominada pelo Reino Unido em 1765 e os britânicos tomaram posse da colônia em 1814. A escravidão foi abolida em 1834 e, a partir daí, iniciaram conflitos entre os bôeres e os britânicos.
Os bôeres seguiram rumo ao norte do atual território da África do Sul com os escravos e, na segunda metade do século XIX, foram fundadas as repúblicas do Orange e do Transvaal. Essas repúblicas se originaram com o massacre dos povos nativos e com isso, sociedades foram fundadas na opressão racial.
As cidades de Cabo e Natal foram tomadas por práticas racistas impostas pelo sistema colonial britânico. Foi criada a lei do passe no século XIX, que afirmava que os negros não poderiam circular por áreas que eram ocupadas por brancos e mestiços sem portar um passe com permissão. Eles não podiam andar nas ruas a noite e se fossem vistos em locais públicos, tinham de apresentar o passe.
O voto dos negros foi limitado em 1892 e proibido em 1905. Em 1894, os indianos tiveram seu direito de votar na cidade de Natal privado e, em 1906, foram obrigados a portar o passe.
No final do século XIX foi criada uma guerra entre britânicos e bôeres por causa da descoberta de jazidas de diamantes e ouro nas repúblicas de Orange e Transvaal.
Em 1910, foi criada a União Sul-Africana, uma negociação feita entre bôeres e britânicos, que anexava os territórios britânicos de Cabo e Natal com as antigas áreas bôeres. Com o domínio dos ingleses nos territórios, todo o controle político passou a pertencer aos brancos porque os negros foram proibidos de terem o direito de se sentarem no parlamento.
A partir disso, foi fundado o Partido Reunido Nacional pelos bôeres, para poder disputar hegemonia política com os ingleses.
Os africânderes (descendentes dos bôeres) elegeram o primeiro-ministro Louis Botha em 1910, e assim alcançaram o poder.
Em 1913, foi criado a Lei das Terras Nativas, que consistia na divisão de posse da terra na África do Sul por grupos raciais. Nesse ano, negros foram proibidos de comprar terras fora das “reservas indígenas”. Apenas os negros moradores da província do Cabo tinham esse direito.
A única exceção para permissão de negros morando fora de suas terras era se fossem empregados dos brancos. Em 1918, os negros foram obrigados a morar em lugares específicos por causa da criação do Projeto de Lei sobre Nativos em Áreas Urbanas. Jan Smuts foi primeiro ministro em 1919 e, durante seu segundo governo, os indianos foram proibidos de comprar terras.

Eleições de 1948

Nas eleições de 1948, dois partidos disputavam o poder. O Partido Reunido Nacional era liderado pelo clérigo da Igreja Reformada Holandesa, Daniel François Malan, e o Partido Unido era liderado pelo primeiro-ministro, Jan Smuts.
O vencedor foi o Partido Reunido Nacional, que percebeu o receio dos brancos com os movimentos políticos liderados pelos negros. Por conta disso, decidiu implantar a legislação de segregação racial. Malan estabeleceu o apartheid, e logo após a implantação, houve a união dos dois partidos, formando assim o Partido Nacional.
A partir dessa união, a discriminação racial passou a ser uma realidade concreta no país. Houve implantações de diversas leis de separação de raças e somente em 1994 foi dado um fim ao apartheid.

Legislação do Apartheid

Durante o regime do apartheid, muitas leis foram criadas em benefício dos brancos. Apesar de serem minoria, eles controlavam praticamente todo o poder político e econômico no país.
Para poder dividir melhor esse poder, a África do Sul foi dividida em quatro raças: brancos, negros, mestiços e índios.
No total, mais de 300 leis foram aprovadas durante o regime, sendo as principais:
1949 – Lei de Proibição dos Casamentos Mistos
Era proibido o casamento entre pessoas de raças diferentes.
1950 – Lei da Imoralidade
Era proibido a prática de relações sexuais entre pessoas de diferentes raças.
1950 – Lei de Registro Populacional
Todas as pessoas deveriam portar um cartão que informava a que raça a pessoa pertencia. O maior problema foi com os mestiços, pois por serem de raças misturadas, tiveram alguns membros da família afastados por serem considerados de raças diferentes.
1950 – Lei de Áreas de Agrupamento
Determinava que cada área urbana deveria pertencer a determinada raça. Muitos negros foram forçados a abandonarem seus lares de origem por conta dessa lei.
1950 – Lei de Supressão ao Comunismo
O governo considerava como comunismo qualquer oposição feita ao governo, com possibilidade de implantar graves penas aos grupos de oposição. Além disso, baniu o Partido Comunista Sul Africano.
1953 – Lei de Reserva dos Benefícios Sociais Separados
Era proibido pessoas de raças diferentes ficarem nos mesmos locais públicos, como hospitais, ônibus, escolas, entre outros. Até em bancos de praças era possível encontrar placas especificando o uso somente para brancos.
1953 – Lei de Educação Bantu
Diferenciava o tipo de educação escolar para negros, de forma inferior à educação dada aos bracos.
1956 – Lei de Minas e Trabalho
Oficializou a discriminação no ambiente de trabalho.
1958 – Lei de Promoção do Auto-Governo Negro
Determinava independência de negros em algumas terras, chamadas “homelands”, que podiam ser consideradas como “países”. Eram eleitos presidentes desses “países” independentes.
1959 – Lei de Investimento Corporativo nos Bantu
Com a independência das “homelands”, foi criada a transferência para as homelands para poder gerar empregos nelas.
1970 – Lei de Cidadania da Pátria Negra
Mudou a estatuto dos negros para não serem considerados sul-africanos. Assim, eles abandonavam seus direitos e iriam em direção às homelands, e a quantidade de população branca no país poderia aumentar.

Nelson Mandela

Nascido no vilarejo de Qunu, na África do Sul, no dia 18 de julho de 1918, Nelson Mandela é a principal referência quando se fala na luta contra o apartheid. Foi o primeiro membro de sua família a entrar na escola, aos 7 anos, e aos 16 anos, estudou cultura ocidental no Instituto Clarkeburry.
Mudou-se para a cidade Fort Beaufort, em 1934. Ingressou na Universidade de Fort Hare no curso de Direito, mas ao se envolver com movimentos estudantis contra políticas universitárias, foi expulso da universidade. Foi na Universidade da África do Sul (UNISA), em Johanesburgo, que ele concluiu o curso por correspondência, mas deu continuidade em seus estudos na Universidade de Witwatersrand.
Envolveu-se na luta contra o apartheid e, filiou-se ao Congresso Nacional Africano (CNA) em 1942. Junto de Walter Sisulu e Oliver Tambo, fundou a Liga Jovem do CNA.
Em 1948, foi implantada uma política de segregação racial com a vitória do Partido Nacional. Assim, Mandela se tornou mais ativo no CNA e divulgou a Carta da Liberdade. Essa carta era um documento conta o apartheid, em que Mandela expressava seu desejo pela democracia, assim como pela igualdade racial.
Em 1960, houve o massacre de Sharpville, que ocorreu quando negros que protestavam contra a Lei do Passe Livre, lei que determinava a obrigatoriedade de cadernetas especificando lugares onde os negros poderiam passear. Nesse massacre, 69 pessoas foram mortas pela polícia sul-africana, além de ter 180 pessoas feridas.
Mandela sempre foi adepto a não-violência, mas depois desse massacre, aceitou recorrer às armas.
Comandou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e no ano de 1962, Mandela foi preso sob a acusação de viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Por essa acusação, foi sentenciado a cinco anos de prisão.
Em 1964, foi condenado a prisão perpétua por planejar ações armadas e sabotagem. Mas negou a acusação de planejar que outros países atacassem a África do Sul. Na prisão, se tornou símbolo de resistência contra o apartheid, que a frase “Libertem Nelson Mandela” virou a principal campanha contra o regime.
Mandela poderia receber liberdade condicional em 1985, mas recusou a proposta de sair da prisão em troca de não incentivar a luta armada.
No total, ele permaneceu 26 anos na prisão, sendo libertado em 1990, graças a pressão internacional e a força que o CNA adquiriu com o tempo. O presidente responsável pela sua liberdade foi Frederik de Klerk, com quem dividiu um Prêmio Nobel da Paz, em 1993.
Em 1994, os sul-africanos votaram pelo fim do apartheid e Mandela se tornou o primeiro presidente negro do país.
Seu mandato terminou em 1999, e depois ele passou a fazer parte de causas sociais, entre elas os direitos humanos e a luta contra a AIDS. Foi casado três vezes e teve cinco filhos no total, mas dois faleceram.
Fonte: http://racismo-no-brasil.info/

A POESIA DE SER MULHER

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Olmo e a Gaivota, 2015
PUBLICADO EM CINEMA POR 

A "mulher" têm crises e histórias, elas escrevem as suas todos os dias assim como qualquer um, então porque as limitações? somos donos do nosso corpo, no entanto, em massa, criamos uma série de dilemas para a manipulação. Criar uma vida dentro de si é uma escolha artística, um sentimento profundo de auto-compreensão, uma atitude que parte do equilíbrio, do melhor momento; ser mãe é, antes de mais nada, aceitar-se como mãe.

Quantas histórias esse mundo já contou? quantas possibilidades de identificação e quantas frases bem elaboradas. A palavra e a escrita é uma forma real que o homem encontrou, desde o princípio, para enfrentar a sua própria pequenice. Mas, faça esse exercício, quantas dessas milhares de obras exploram a mulher? quais grandes obras falam sobre a gravidez?
Quantas mulheres escreveram e, em algum momento da vida, enfrentaram diversos problemas por serem, como diz mesmo, "mulher"?
"Mulher". Essa palavra é tão forte, esteve tão presente e, ao mesmo tempo, tão distante que me sinto um monstro, me sinto sujo e incoerente. Na palavra "mulher" não existe plural, pelo menos não nessa análise, pois todas brigam, mesmo que indiretamente, pela mesma causa. Somos "um" na teoria, mas, em sociedade, em conjunto, somos divididos: homens e mulheres; poder e submissão; subversão e regra; pênis e vagina; mundo e casa; desespero e mãe.
Esse devaneio é resultado do trabalho minucioso de uma diretora - aqui, duas, visto que Petra Costa co-dirige "Olmo e a Gaivota" com a dinamarquesa Lea Glob - que dialoga, com extrema totalidade, com o universo feminino. Esse universo não precisa ser engrandecido, muito menos colocado acima dos outros infinitos, porém, é preciso, somente, falar sobre, tentar entender suas nuances e os seus intervalos.
"Olmo e a Gaivota" percorre a história de dois atores, unidos pelo amor e pela arte, transitando por entre o documentário e a ficção - existe separação entre eles? - que, de repente, descobrem a gravidez. A perplexidade toma conta dos pais, a preocupação, bem como o amor que, de mansinho, vai caminhando por outros lados, de outras formas, como se estivesse constantemente se preparando. A sensação que beira o êxtase, do processo de criar, assim como um deus, dá lugar à insegurança, medo e tristeza. Existe uma vida lá fora, existe um trabalho - afinal, o teatro é uma incontável criação de vidas e histórias - e a mãe, cuja responsabilidade/benção/maldição carrega no ventre, se vê sozinha.
Serge: - A minha presente realidade é diferente da sua. Olivia: - Minha presente realidade também é a sua. Mas sou eu quem a carrega.
A atriz, acostumada com as luzes do palco, precisa acostumar-se, forçadamente, com a quietude de um apartamento. Onde estaria, então, o seu marido/futuro pai? esse se preocupa, apenas, em sustentar o futuro e, consecutivamente, o seu ego. Ele vive a rua. Deixa em casa uma Rapunzel, presa em uma torre no meio urbano, acompanhada dos seus demônios... uma Rapunzel sem as tranças, sem esperanças. "Olmo e a Gaivota" é uma inconstância, tudo que se sabe e se acha é a mulher. A mídia trabalha o amor com uma imaginação ingênua; trabalha a gravidez com uma segurança devastadora mas, todos sabemos, é um assunto cercado de questionamentos. Nenhuma mãe se sente totalmente segura desde o início, nenhuma mulher precisa ser forte o tempo todo; mas eles empurram essa ideia, com correntes e sangue: a mulher precisa estar feliz por estar grávida, não pode ter dúvidas e, qualquer problema, há de arcar com a responsabilidade, afinal, foi a sua escolha.
O filme não fala nada diretamente, não julga, muito menos grita à favor do aborto, como muitos dizem, simplesmente analisa a mulher, a gravidez e todas as suas vírgulas. Nunca foi feito algo assim, principalmente com essa narrativa que se assemelha muito com o melhor do cinema iraniano.
Grande parcela da população não está interessada em discutir temas polêmicos com a arte. A maioria prefere apontar o dedo e selecionar o que é certo e o que não é - em base ao seu conservadorismo. As pessoas iludem outras com falsas chamadas de sabedoria, e dizem que analisar com calma, individualmente, não é necessário. Que priorizar os sentimentos é uma forma de alienação.
O mundo nunca pôde ser dividido em dois lados, pelo menos a arte dá a possibilidade de trabalhar uma série de camadas, por isso, é a demonstração perfeita de poder e manipulação da vida, seja aqueles que fazem ou que sentem.
A "mulher" têm crises e histórias, elas escrevem as suas todos os dias assim como qualquer um, então porque as limitações? somos donos do nosso corpo, no entanto, em massa, criamos uma série de dilemas para a manipulação. Criar uma vida dentro de si é uma escolha artística, um sentimento profundo de auto-compreensão, uma atitude que parte do equilíbrio, do melhor momento; ser mãe é, antes de mais nada, aceitar-se como mãe. O lado positivo de "Olmo e a Gaivota" é a pronuncia, a coragem para se discutir o início da vida, humanizando esse processo seja qual for a consequência. Histórias felizes e tristes acontecem o tempo todo, mas a nossa arrogância nos tira a possibilidade de empatia. O filme estabelece essa conexão: tema, indivíduo, arte, mulher e Petra Costa, talvez Elena. O trabalho da diretora é transcender à liberdade, fazer pensar com a poesia e mergulhar no existencialismo.

 Fonte:http://obviousmag.org/ -  @obvious on Twitter | obviousmagazine on Facebook

DIREITOS HUMANOS: Prefeitos eleitos não assinam pacto da ONU por igualdade de gênero

A candidata Luiza Erundina (PSOL) assinou o compromisso, mas não foi eleita
O programa Cidade 50-50, da ONU Mulheres, tem por objetivo promover a paridade entre homens e mulheres, mas por enquanto tem baixa adesão
Dos mais de 5,5 mil prefeitos eleitos em 2016 no Brasil, nenhum assinou o compromisso com o projeto “Cidade 50-50: todas e todos pela igualdade” da ONU Mulheres. Ainda.
O programa tem por objetivo fazer da paridade de gênero uma política pública que comece a ser aplicada desde os vereadores e prefeitos para atingir uma rede nacional de comprometimento efetivo com a causa.
Lançado no final de setembro, o projeto foi criado em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com o Instituto Patrícia Galvão e com o Grupo de Estudos sobre Democracia e Diversidades da Universidade de Brasília.
Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres no Brasil, afirma que tem esperanças de que prefeitos e vereadores eleitos se unam ao movimento. “Estamos preocupados com a baixa eleição de mulheres, mas os que venceram podem fazer diferença”.
CartaCapital: Qual é a proposta do Programa Cidade 50-50 da ONU?
Nadine Gasman: O programa busca o reconhecimento da importância que as políticas públicas municipais têm para a promoção na igualdade de gênero na esfera pública e privada, na economia, política, no ambiente de trabalho, na educação, cultura, e em toda parte. 
É uma busca por uma cidade em que as mulheres não tenham menos oportunidades, condições e direitos do que os homens, porque nenhuma sociedade pode ser democrática sem isso.
O Brasil é um dos signatários da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da ONU, e o princípio do Cidade 50-50 está no coração desses objetivos. Por isso, nessa eleição buscamos candidatos e candidatas que fizessem um compromisso público com os direitos das mulheres para ter cidades igualitárias no Brasil.
CC: Quantos candidatos assinaram o compromisso?
NG: Ao todo, 55 candidatas e candidatos aderiram ao programa, sendo 13 a prefeito e 42 a vereadores. Mas nenhum desses prefeitos que se comprometeram foi eleito, e somente três vereadores venceram: Áurea Carolina do PSOL de Belo Horizonte, a vereadora com maior número de votos na cidade, Larissa Gaspar do PPL em Fortaleza (CE), e o professor Diogo do PPL, em Timóteo (MG).
João Doria
João Doria conversa com Nadine. O prefeito eleito em São Paulo prometeu analisar a proposta (Foto: ONU Mulheres/Reprodução)
CC: Como foi o contato com os candidatos à prefeitura de São Paulo?
NG: Eu e a equipe fomos a São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre para conversar pessoalmente com os candidatos. Na capital paulista, Fernando Haddad (PT) e Luiza Erundina (PSOL) assinaram a plataforma.
E o agora prefeito eleito João Doria (PSDB) disse que a equipe dele ia analisar a proposta e decidir depois, mas ainda não tivemos uma resposta.
CC: E dos outros estados?
No Rio de Janeiro, Marcelo Freixo (PSOL), Alessandro Molon (REDE) e Jandira Feghali (PCdoB) assinaram. Em Porto Alegre, Sebastião Melo (PMDB) também fez a adesão.
CC: Quais são os próximos passos para continuar a desenvolver o programa?
NG: Agora vamos para uma segunda fase, e entrar em contato com os eleitos e as eleitas para convidá-los mais uma vez para assinar a plataforma, que continua em funcionamento. Eles podem assumir o compromisso com políticas voltadas para a igualdade de direitos entre mulheres e homens a qualquer momento.
E também vamos monitorar a projeção dos que se comprometeram com esse compromisso, que é suprapartidário e envolve diversas áreas.
Estamos preocupados com a baixa eleição de mulheres, mas os que venceram podem fazer diferença promovendo proporção maior de mulheres nos gabinetes.
Eles podem assinar orçamentos para políticas para mulheres, fazer mais creches, fazer mudança real na vida das mulheres e a gente acredita que na medida em que essas coisas vão acontecendo, para a próxima eleição, seguramente podem ser eleitas muitas mais mulheres. 
Temos uma grande expectativa de que prefeitos e vereadores eleitos estejam abertos a pensar e a se unir ao movimento e fazer sua parte, que eles percebam que a ação local tem muito impacto direto na vida das pessoas.